segunda-feira, 4 de maio de 2026

Uma grande covardia

 


O hábito da maledicência é bastante enraizado em nossa sociedade.


A criatura que jamais tece comentários maldosos sobre seus semelhantes chega a constituir exceção.


Mesmo amigos, não raro, nos permitimos criticar os ausentes.


Quase todos os homens possuem falhas morais.


Seria sinal de pouca inteligência não perceber essa realidade.


Não é possível ver o bem onde ele não existe.


Também não é conveniente ser incapaz de perceber vícios e mazelas que realmente existam.


Mas há uma considerável distância entre identificar um problema e divulgá-lo.


Encontrar prazer em difamar o próximo constitui indício de mesquinharia.


Esse gênero de comentário é ainda mais condenável por ser feito de forma traiçoeira.


Frequentemente, quando criticamos o vizinho, o companheiro de atividades, não temos coragem de fazê-lo frente a frente.


É uma grande covardia sorrir e demonstrar apreço por alguém e criticá-lo pelas costas.


Antes de tecer um comentário, é preciso ter certeza de que ele traduz uma verdade.


Sendo verdadeiro, torna-se necessário verificar se há alguma utilidade em divulgá-lo.


A única justificativa para apontar as mazelas alheias é a prevenção de um mal relevante.


Se o problema apresentado por uma criatura apenas a ela prejudica, o silêncio é a atitude digna.


Assim, antes de abrirmos a boca para caluniar alguém, tenhamos certeza da veracidade dos fatos.


Reflitamos se nosso agir visa a evitar um mal, ou se é apenas o prazer de maldizer. Na segunda hipótese, é melhor nos calarmos.


Relevante nos indagarmos se temos coragem de comentar a ocorrência na frente da pessoa criticada.


Isso permitirá a ela dar a sua versão dos fatos e defender-se de inverdades.


Dessa maneira, não nos revistamos com a capa lamentável da covardia.


Não nos tornemos aquele que agride de preferência as pessoas frágeis.


Nem nos utilizemos de subterfúgios, pela falta de coragem para atacar diretamente.


O homem que é alvo do nosso ataque covarde geralmente nem sabe o que lhe aconteceu.


Apenas se espanta ao deparar com sorrisos irônicos aonde quer que vá.


Em ambientes em que era recebido calorosamente, agora só encontra frieza.


Percebe, perplexo, o afastamento de amigos e parentes.


As fisionomias outrora benevolentes tornam-se sisudas.


Raramente alguém lhe esclarece a razão do ocorrido.


Dessa maneira, ele é julgado e condenado sem possibilidade de defesa.


Analisemos nosso proceder e verifiquemos se, por leviandade, às vezes, agimos de maneira maldosa e covarde.


Pensemos nos prejuízos que nossas palavras podem causar na vida dos outros.


Imaginemos se fôssemos nós a vítima do comentário ferino.


Certamente gostaríamos de que a generosidade de alguém apagasse o rastilho de boatos e suspeitas infundadas. Ou nos cientificasse a respeito.


Eliminemos o hábito da maledicência.


Trata-se de um comportamento contaminado pela covardia.


E, sem dúvida, nenhum de nós tem como ideal de vida abraçar esse vício moral.


Pensemos nisso!


Em 23.4.2026

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