quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Não seja bonzinho

 


Inúmeras passagens do Evangelho conclamam os homens a amar seus semelhantes.


Ocorre que ao amor são atribuídos inúmeros significados.


Muitos afirmam cometer loucuras e crimes por força desse sentimento.


Entretanto, sendo o amor a essência das leis divinas, a sua vivência deve pacificar e iluminar.


É inconcebível imaginar que tão sublime energia possa desequilibrar e provocar tragédias.


Na realidade, frequentemente se toma por amor o que é apenas paixão ou desejo.


Outras vezes, mesmo amando, a criatura se equivoca na forma pela qual demonstra seu afeto.


Um dos grandes erros que alguém pode cometer é pensar que amar o próximo significa realizar suas vontades e fantasias.


Nessa linha, seria necessário agradar o ser amado, ser bonzinho com ele.


Entretanto, o adjetivo bonzinho não é, necessariamente, elogioso.


Jamais se diz de uma pessoa genuinamente boa que ela seja boazinha.


Quando alguém se constitui em uma presença benfazeja no meio social, diz-se que é uma ótima pessoa, que tem um grande coração.


Seria difícil ocorrer a alguém afirmar que Madre Tereza de Calcutá era boazinha.


O termo bonzinho, habitualmente, indica alguém bem-intencionado, mas sem discernimento.


Há uma diferença enorme entre ser bondoso e ser bonzinho.


Tome-se o exemplo de um professor.


Existe uma distância considerável entre um bom professor e um professor bonzinho.


Um bom professor possui conhecimento e didática.


Ele efetivamente ensina, mas também cobra o conteúdo de seus alunos.


Caso eles não estudem e aprendam, serão reprovados.


Um bom professor tem noção de seus deveres e responsabilidades.


Já um professor bonzinho ensina pouco e cobra menos ainda.


Distribui notas altas, independentemente do real aprendizado obtido pelos alunos.


Esse professor, a pretexto de agradar, causa um grande mal.


O conhecimento que ele não proporciona certamente fará falta aos seus pupilos no futuro.


Outro exemplo de bondade sem discernimento é o da mãe que se torna escrava dos filhos.


Dá-lhes tudo na mão e faz com que vivam em sua casa como se fosse um hotel.


Assim agindo, habitua seus filhos a serem servidos.


Entretanto, a vida não é um hotel de luxo.


O dia a dia é composto de lutas e esforços, que nos desafiam, constantemente.


A mãe que assume o papel de boazinha prejudica seus filhos, ao lhes dar uma perspectiva equivocada do viver.


É um perigo alguém tornar-se bonzinho.


Esse gênero de bondade é piegas e equivocado, pois prejudica o ser amado.


Devemos ser pessoas boas, na acepção da palavra.


Manifestar afeto pelos que nos rodeiam, mas incentivando-os a cumprirem seus deveres.


Orientar nossos amores para que sejam honrados e trabalhadores e assumam as consequências de seus atos.


A pretexto de amar, não podemos infantilizar ninguém, furtando-o das experiências necessárias ao seu progresso.


Afinal, o amor não se identifica com pieguices e ilusões.


O amor é uma força atuante e transformadora.


Pressupõe discernimento de quem ama.


Pois somente assim proporciona paz e felicidade ao ser amado.


Em 23.9.2022.

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