quarta-feira, 30 de julho de 2025

Moraes viola a liberdade de expressão e cria censura à imprensa

 


Um homem careca, vestido com uma toga preta e uma camisa branca, está sentado em uma cadeira amarela em um ambiente de tribunal. Ele parece estar ouvindo atentamente, com uma expressão séria. Ao fundo, há outras pessoas, mas não estão claramente visíveis.

Moraes já ultrapassou todos os limites e nada ac333333333333333333333ontece

Lygia Maria
Folha

Em 1963, o governador do Alabama, George Wallace, foi convidado a dar uma palestra na Universidade Yale. Como ele se opunha à integração racial nos EUA, população e autoridades locais se mobilizaram contra a palestra.

Mas uma doutoranda do curso de direito em Yale, Pauli Murray, pediu ao reitor que Wallace fosse autorizado a discursar. Murray, uma mulher negra e ativista dos direitos civis, disse que “a possibilidade de violência não é razão suficiente, perante a lei, para impedir um indivíduo de exercer seu direito constitucional”.

VETO DO PROVOCADOR – Trata-se de crítica ao “veto do provocador”: quando uma pessoa ou grupo é silenciado porque suas falas podem causar reação negativa e até agressiva do público.

Tal postura corajosa mostra que uma perspectiva bastante ampla da liberdade de expressão, por si só, não significa falha moral ou apoio à infração de direitos das minorias —afinal, quem poderia acusar Murray de racista?

Ademais, apela à ideia de que opiniões políticas não devem ser silenciadas ou criminalizadas, mas sim colocadas em choque com opiniões contrárias. Tratar divergências discursivas por meio do debate público seria a forma menos autoritária de abordar a questão, dado que diminuem-se os riscos de violações à liberdade de expressão.

NO BRASIL ATUAL – Esse aprendizado é crucial no cenário brasileiro atual, onde defensores de um conceito amplo de liberdade de expressão são chamados de fascistas e o STF, por meio de decisões monocráticas do ministro Alexandre de Moraes, impede cidadãos, réus ou não, de postarem em redes sociais ou concederam entrevistas.

O argumento do magistrado é semelhante ao “veto do provocador”. Ao proibir entrevista de Filipe Martins —ex-assessor de Jair Bolsonaro e réu no processo sobre a trama golpista— para o Poder360, neste mês, alegou “risco de tumulto”. Em 2024, também vetou entrevista de Martins à Folha. Assim, o Supremo reinstitui a censura prévia no país. Que isso seja normalizado, até por alguns jornalistas, é aterrador.

Em matéria de liberdade de expressão, precisamos de mais Murray e menos Moraes.

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