sábado, 24 de maio de 2025

A doença do mau humor

 


Ele era um servidor de Jesus um tanto imperfeito. Vivia de mau humor. Reclamava de tudo e de todos.


Com tal comportamento, natural que as antipatias se multiplicassem ao seu redor.


Por fim, era detestado pelos que lhe compartilhavam a vida, a tal ponto que alguns resolveram compor uma comissão e comparecer ante o superior da nobre instituição, pedindo providências.


O superior era o papa, um homem devotado ao bem, portador de peregrinas virtudes.


Recebeu a comissão em audiência particular e lhe ouviu as reivindicações que incluíam um pedido de transferência para o colega sacerdote tão complicado.


Ninguém o desejava na equipe de trabalho, pois todos se sentiam mal com suas constantes reclamações.


Que ele fosse enviado a um local distante, para uma tarefa isolada. Afinal, diziam os integrantes da comissão, embora não o quisessem ao seu lado, também a ninguém desejavam tal castigo.


De forma surpreendente, quando concluíram o relato, o papa lhes assegurou que iria resolver a questão.


Solicitou que o sacerdote fosse encaminhado aos seus próprios serviços. Ele o tomaria para seu secretário particular.


Quando lhe chegou o novo secretário, encarregou-o de uma tarefa especial.


Todos os dias, às sete horas da manhã, ele deveria despertá-lo e informar:


Santidade, são sete horas. O dia está lindo e o café está servido.


Na manhã seguinte, pontualmente, pois ele era fiel cumpridor dos seus deveres, compareceu à frente do papa e informou, conforme lhe fora ordenado:


Santidade, são sete horas. O dia está lindo e o café está servido.


Eu sei, meu filho. Respondeu o papa, com bondade. Os anjinhos me contaram.


E assim foi no segundo dia, no terceiro e em todos os seguintes.


Ao final de algumas semanas, o mal humorado servidor já se cansara de ouvir a mesma resposta do papa.


Mas, fiel ao seu dever, chegou pela manhã e disse:


Santidade, são sete horas. O dia está lindo e o café está servido.


A resposta foi a mesma.


Eu sei, meu filho. Os anjinhos me contaram.


Então, com todo o mau humor represado há dias, explodiu o secretário:


Que anjos mentirosos! Saiba Sua Santidade que são nove horas, está chovendo torrencialmente e eu não preparei o café.


*   *   *


Isso se chama distimia, a doença do mau humor. Difícil de ser debelada, mesmo ao contato de pessoas pacientes e otimistas, que tudo fazem para mostrar a esse enfermo que nunca tudo é ruim.


Se nos descobrirmos nesse quadro, busquemos ajuda profissional e repensemos nossas atitudes.


Ajustemos as lentes da alma e descubramos quão extraordinário é o mundo em que nos movemos, pleno de cor, magia, encanto.


E vejamos que mesmo a lava destruidora do vulcão em erupção, enquanto engole, em sua passagem, o que encontra, ilumina em cores a paisagem.


Pensemos nisso!


..., com base na faixa O padre rebelde do Vaticano,  Centro Espírita Caminho da Redenção.

Em 20.10.2016.

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