Publicado em 6 de julho de 2023 por Tribuna da Internet
Volkswagen decide suspender produção no Brasil após agravamento da pandemia de COVID-19 - 19.03.2021, Sputnik Brasil.Volks decide suspender a produção por falta de demanda
Deu em O Globo
Uma política ruim sempre pode piorar. É o caso do programa do governo Luiz Inácio Lula da Silva de estímulo à venda de “carros populares” — que de populares não têm nada — para tirar do atoleiro uma indústria automotiva desconectada dos tempos atuais.
Nos últimos dias, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que liberará mais R$ 300 milhões para a iniciativa, além do R$ 1,5 bilhão já previsto. As regras serão praticamente as mesmas já em vigor: os bônus variarão de R$ 2 mil a R$ 8 mil por veículo, e o incentivo valerá para carros que custam até R$ 120 mil.
Estímulos à indústria automobilística são uma obsessão dos governantes brasileiros, em particular petistas. Traduzem a visão ultrapassada segundo a qual o setor é motor do crescimento. Não funciona, como já deveriam saber.
CONDENAÇÃO NA OMC – No governo Dilma Rousseff, o programa Inovar-Auto, que ambicionava modernizar a produção no país, sugou R$ 1,3 bilhão por ano em incentivos e não deu em nada. Ainda rendeu ao Brasil uma condenação na Organização Mundial do Comércio (OMC). A ajuda do Estado ao transporte de carga também não resolveu os problemas dos caminhoneiros. E por aí afora.
Mesmo agora, com os novos subsídios, a estagnação das montadoras não dá sinais de recuperação. Na semana passada, a Volkswagen anunciou parada temporária da produção em suas três fábricas, sob o argumento de que é preciso adequá-la à demanda. Os pátios no ABC paulista estão lotados.
Subsidiar a indústria automotiva não é um erro em razão apenas do resultado pífio. Também contradiz o discurso ambientalista do governo. Antes de assumir, Lula prometeu trabalhar para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O que faz agora? Concede incentivos a uma indústria movida a combustíveis fósseis. Nada mais distante do que o governo prega nos fóruns internacionais.
E a energia limpa? – É verdade que a frota brasileira está envelhecida, que carros novos poluem menos e que o programa prioriza veículos movidos a etanol. Mas não faz sentido incentivar o transporte individual num país que não consegue dar uma resposta minimamente adequada aos problemas do coletivo. A esta altura, o governo deveria estar traçando políticas públicas para estimular a construção e implantação de metrôs, trens ou bondes, que usam energia limpa. Ou então corredores de ônibus (BRTs), que transportam mais gente, ocupam menos espaço na via pública e lançam menos gases na atmosfera.
A promessa de que o afago à indústria automotiva seria por tempo limitado está virando fumaça, já que o governo sempre encontra um jeitinho de prorrogar benesses às montadoras. Despejar dinheiro público em incentivos quando o país busca aumentar a arrecadação não esvaziará os pátios das fábricas nem multiplicará postos de trabalho, pois isso depende do desempenho da economia.
O governo deveria deixar a indústria andar sozinha e aplicar esses recursos em áreas onde eles realmente são necessários, como educação, saúde ou infraestrutura. Seria maior a chance de ajudar o país.
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