Sérgio Alves de Oliveira
Advogado e Sociólogo
A criatividade se trata de uma característica sempre reconhecida no povo brasileiro. Inclusive o “jeitinho” brasileiro de fazer as coisas,”tirar vantagem em tudo”,o “drible” no futebol (enganando o adversário) ,e a improvisação em quase tudo,são algumas dessas características.
A “genialidade” criativa dos políticos brasileiros,por exemplo,muito contribuiu para que surgisse uma nova forma de governo,ao lado das preconizadas na Grécia Antiga por Aristóteles (384 a.C a 322 a.C-Atenas),em “A Política”,e mais tarde em face de Políbio (220 a.C a 146 a.C-Mazolópode,Arcadia),geógrafo e historiador,com “Histórias”,que influenciou fortemente Montesquieu na escrita do “Espírito das Leis”e a próprio espírito que norteou a redação da Constituição dos Estados Unidos,de 1789,ainda vigente.
Para Aristóteles,as formas PURAS de governo seriam a (1) Monarquia (governo de um só),a (2)Aristocracia (governo dos mais capazes),e a (3) Democracia (governo do povo pelo povo). As formas IMPURAS,respectivamente degenerações das Formas Puras, seriam a (1) Tirania (governo do déspota),a (2) Oligarquia (uma aristocracia corrompida) e,finalmente, a (3) Demagogia (deturpação da democracia).
Em “Histórias”,Polibio manteve a classificação aristotélica das formas de governo,porém substitui a “demagogia” concebida por Aristóteles como corrupção da democracia pelo que ele chamou de OCLOCRACIA,uma deformação da democracia bem mais ampla que a demagogia , pela qual os maus elementos se adonavam da política e a pior escória da sociedade era levada a fazer política.
No meio de todas essas classificações das formas de governo,tendo surgido especialmente em países em desenvolvimento que sobrevivem vendendo seus recursos naturais e “commodities”,instalou-se a “cleptocracia”,consistente numa forma de governo cujos líderes corruptos (cleptocratas) usam o poder público para se apropriar das riquezas da nação,geralmente com desvio ou apropriação indevida de fundos do governo,às custas da população em geral. O Banco Mundial calcula que de 2 a 5% da economia mundial vá parar nesses “cofres”.
Mas para fins didáticos,preferimos incorporar a “cleptocracia” como forma de governo na OCLOCRACIA.
Mas a “criatividade” e “genialidade” brasileira se encarregou de ampliar as formas de governo,não satisfeita com a oclocracia e com a cleptocracia,aumentando o elenco das formas IMPURAS de governo.
Essa nova forma “genial”poderia ser chamada de “Bandalha”,que consistiria não só nas “boquinhas”para protegidos políticos em empresas estatais,mas fundamentalmente no nepotismo de empregar as próprias esposas de politicos importantes,governadores,por exemplo,nos tribunais de contas,com privilegiada remuneração,equivalente ao teto no serviço público,percebido por ministros do STF.
Nenhum requisito ou formação é exigido para preenchimento desses cargos,que são vitalícios,e objetivam fiscalizar e controlar as contas públicas,não sendo exigido nem saber de cor o alfabeto ou a tabuada.
Portanto a “BANDALHA”- e não existe expressão mais abrangente que essa para representar o nepotismo de indicação de “esposas” de governadores para tribunais de contas- poderia figurar ao lado da “cleptocracia”,o regime político dos ladrões,como mais um subproduto da OCLOCRACIA,que infelizmente governa o Brasil.
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