quinta-feira, 23 de março de 2023

A picanha não veio; como fica agora a grande ideia estratégica de Lula para governar o Brasil?

 

Presidente, naturalmente, não disse uma sílaba sobre o dinheiro que o cidadão precisa para comprar carne ou qualquer outra coisa

Por J.R. Guzzo - Via Estadão.


O presidente Lula voltou a falar da picanha, sua grande ideia estratégica para governar o Brasil – mas agora, ao contrário das promessas vazias que fez quando pedia votos na campanha eleitoral, foi para tentar explicar por que a picanha não veio. Não veio porque não poderia mesmo ter vindo, pois se trata de uma óbvia questão de produção e de renda, e não de um desejo. Mas Lula, como de costume, continua a mentir sobre este e quaisquer outros assuntos. Segundo ele, a picanha virá logo mais; esperem só um pouquinho, e ela estará aí. “O preço vai cair”, anunciou o presidente. “Tem de cair”. É mesmo? “Tem de cair”? E o que o seu governo está fazendo para que o preço caia? Nada. Na verdade, está fazendo exatamente o contrário, com a guerra ao produtor rural, a obsessão de “ajudar os pobres” através do aumento da inflação (segundo Lula e os economistas de esquerda, inflação é coisa muito boa para o pobre) e a inépcia cada vez mais agressiva do seu governo.

Lula, naturalmente, não disse uma sílaba sobre o dinheiro que o cidadão precisa para comprar carne ou qualquer outra coisa; não tem nenhuma preocupação com isso, dentro do seu projeto permanente de governar o país através de discursos que não guardam, nunca, o menor ponto de contato com a realidade. O preço atual da picanha no açougue, que “tem de cair”, está hoje por volta de R$ 70 o quilo; é metade, simplesmente, do que custa nos Estados Unidos, e menos ainda na Europa. Não é o preço que está alto. É que o consumo de carne depende de quanto as pessoas têm no bolso; no Brasil a maioria tem pouco, e por isso consome pouco. O presidente continua se exibindo como o campeão mundial da “picanha para o povo”, mas, na prática, as coisas correm na direção inversa – pois, entre outras coisas, a renda corre na direção inversa. O aumento do salário mínimo que ele assinou há pouco (e que nos discursos da campanha iria ser o maior da “história desse país” etc. etc. etc.) foi de R$ 18 por mês. Com a picanha a R$ 70 o quilo, dá para comprar 250 gramas a mais por mês, ou menos de 10 gramas por dia. Isso mesmo: 10 gramas. É um deboche. É, também, a quantas anda na vida real a grande promessa – segundo o próprio Lula, um golpe genial de esperteza política – que ele fez durante a campanha.





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