sexta-feira, 24 de março de 2023

A autópsia do Maranhão


Roberto Rocha - Via Diário do Poder.

Os pesquisadores Marcelo Nery e Marcos Hecksher, da Fundação Getúlio Vargas, vem há alguns anos dissecando o quadro da desigualdade no Brasil, utilizando para tal os números obtidos dos dados do Imposto de Renda Pessoa Física conjugados aos obtidos pela Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios – PNAD Contínua, do IBGE.

O bisturi que eles usam é esterilizado contra todo tipo de opinião ou preconceito. Eles não apontam para as causas nem as responsabilidades pelos números obtidos. Eles simplesmente organizam mapas que trazem quadros comparativos entre os Estados, os Municípios e a União.

A última compilação divulgada está nesse quadro que ilustra esta postagem. Vejam que o Maranhão aparece disparado à frente como a unidade da federação com a maior proporção de pobres no país.

Alguma novidade? Não, a não ser o fato de abranger dados até 2021, ou seja, que abarcam pelo menos os sete primeiros anos da aventura comunista no Maranhão. Ou seja, toda a conversa do ex-governador de que conforme os números fossem sendo divulgados, iriam mostrar o efeito das políticas implantadas no seu Governo, caem por terra.

Quanto mais números são expostos, mais fica clara a falácia de um Governo que nunca produziu uma política de desenvolvimento para o Estado, vivendo do varejo de pequenas intervenções marqueteiras de alcance social.

Para dar uma ideia da vergonha desses números, o Maranhão ostenta, dentre os 5568 municípios do Brasil, aquele com a menor renda média do país. Trata-se de Matões do Norte que, pasmem, não mereceu nem a honra de constar no Programa Mais IDH do Governo, que acabou transformado num grande mico ao longo do tempo.

E se esse número do Estado já é indecente, o que pensar quando a pesquisa, ao segmentar o país em 146 estratos espaciais, chegou ao do Litoral e Baixada Maranhense, com o indecoroso número de 72,59% de pobres, classificando-o como o mais miserável do País.

Há muitos outros números a comentar nesse estudo que podemos chamar da Autópsia do Maranhão. Sim, porque justamente o Estado que Celso Furtado dizia que iria se tornar o Paraná do Nordeste, acabou naufragando, apesar dos esforços de alguns bem intencionados políticos.

Li que um deputado recentemente propôs a criação de uma Frente Parlamentar para discutir os motivos da pobreza do Maranhão. É uma nobre intenção. Talvez devessem criar uma Comissão Especial, que tem seus ritos próprios, para começar debatendo com seriedade os graves números apontados pelos pesquisadores da FGV, somados aos estudos feitos pelo IBGE, Banco Mundial, IPEA, ONU etc. Ou seja, acreditando mais nos números da Ciência do que naqueles divulgados pelo Politburo.

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