A falta de apoio em momentos decisivos causa indisposição entre a base de deputados e apoiadores do Presidente Jair Bolsonaro (SEM PARTIDO), chegando ao ápice com a divulgação de uma carta no sábado (26), pelo comunicador Kim Paim durante seu boletim matinal no YouTube.
A missiva circulou em alguns perfis de menor alcance no Twitter, porém ganhou alcance nacional na abordagem do comentarista, famoso por elaborar detalhados dossiês em vídeo.
Paim considera a questão da sucessão da presidência da Câmara dos Deputados, hoje ocupada por Rodrigo Maia (DEM), o assunto mais importante para o país neste momento.
A crise consiste no fato dos eleitores e apoiadores do Presidente temerem que mais dois anos de governo sejam perdidos.
Maia é notório inimigo das pautas conservadoras, as quais denomina “pautas de costumes”, reputando-as como causa da polarização política existente no país.
O deputado ignora que as pautas não geram a polarização, mas sim, o fato de que o parlamento vem tomando posturas contrárias ao desejo da sociedade e que esta irritação é traduzida pelos parlamentares como “polarização”. Irritação continuada ou frustração dos anseios populares seriam termos mais corretos.
A sociedade luta pelo direito de defesa e derrubada do Estatuto do Desarmamento; redução da maioridade penal; voto auditável; repudia o aborto; apoia privatizações; quer Estado menor; respeito às decisões do Presidente eleito.
O parlamento atua em sintonia com o Supremo Tribunal Federal para frustrar todas estas pautas, uma a uma, e reclama da polarização?
Por trás dessa conduta está Rodrigo Maia (DEM), empenhado em fazer prevalecer sua visão de mundo e do grupo progressista denominado “Frente Ampla”, a qual, por fim, abraçou na caminhada contra o candidato governista, Arthur Lira (PP).
A Frente Ampla é uma reunião de partidos de esquerda, idealizada por estrategistas do quilate de José Dirceu, que acreditam ser capaz de derrotar o bolsonarismo.
O histórico de Lira, experiente político da ala conhecida como “Centrão”, foi a escolha possível do Presidente, após dois anos de combinações e ajustes; articulações e recuos e, no momento decisivo, surge a lista.
A lista de deputados, contida numa carta com teor liberal, pretende vincular políticos que, hoje se aliam e amanhã se odeiam, para que venham a agir segundo as disposições ali contidas, à guisa de carta de intenções.
O escândalo se deveu ao fato de, dentre nomes liberais, figurarem nomes de deputados conservadores, eleitos na esteira dos eventos de 2018. Muitos se elegeram como ativistas e desejam manter a sua postura purista.
Porém é razoável que assim o façam quando se elegerem somente como fruto do seu ativismo, não como base de uma pessoa, ou melhor: devido a um nome de peso!
A verdade é que, os deputados que ali figuram, se elegeram na esteira do fenômeno Bolsonaro e são “marinheiros de primeira viagem”; em contraste aos mais de vinte anos de atividade parlamentar, do hoje Presidente.
Uma das críticas ao Presidente reside justamente nisto: o acusam de agir como deputado, enquanto Presidente.
Apoiadores fervorosos, no entanto, consideram impensável que a base de apoio presidencial venha a apoiar qualquer pessoa indicada por Maia.
O que mais causou revolta, no entanto, foi a presença na lista de nomes como o deputado Kim Kataguiri, do Movimento Brasil Livre, crítico ferrenho do governo; cujo grupo foi um dos responsáveis pela CPMI das “Fake News” e pela lei de censura em período eleitoral chamada de “Lei Kim”.
Aliados temem que, a vencer o candidato de Maia, não somente as pautas estariam perdidas, mas o próprio governo.
Porto seguro neste momento é lembrar dos aliados de Maia e seu poder corrosivo em relação ao governo: Ciro Gomes e sua Frente Ampla, idealizada por José Dirceu; Rede Globo, tenaz difamadora do Presidente que deve à Maia a propositalmente caducada “MP do futebol”; seus vínculos com a esquerda e seu discurso de inimizade contra as pautas que constituem promessas de campanha de Bolsonaro.
Diante desse quadro, ainda existe a possibilidade de alguns desavisados apoiarem o candidato de Maia, que, frustrado por não ter recebido o direito de se reeleger, apoiado por todos os partidos menores de esquerda, pelo PT e pela Frente Ampla de Dirceu, pode representar o fim do sonho bolsonarista mais cedo.
Ainda há tempo de acordar para a realidade, que não cabe em “cartinhas de boas intenções”, principalmente em Brasília, aonde não existe papel capaz de atribuir honra a quem nunca teve.
Renata Araujo, para Vida Destra, 31/12/2020. Vamos debater o tema! Sigam-me no Twitter: @tribunascnews

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