sexta-feira, 8 de maio de 2020

Alcolumbre quebra o silêncio e diz que não irá tolerar agressão às instituições


Alcolumbre tem evitado se posicionar sobre polêmicas de Bolsonaro
Amanda Almeida e Isabella Macedo
O Globo

Depois de três dias sem se manifestar sobre a participação do presidente Jair Bolsonaro em ato antidemocrático no domingo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse nesta quarta-feira, dia 6, que não vai “tolerar” ataque às instituições. Ele também repudiou as agressões contra jornalistas ocorridas em manifestações no fim de semana (uma delas na própria manifestação em que Bolsonaro esteve).

“As coisas estão muito difíceis aqui. Vocês têm acompanhado à distância o enfrentamento a todo o momento. A agressão à imprensa, que é lamentável. É lamentável. A agressão à imprensa também é a agressão à liberdade de expressão. Tem a minha solidariedade, o meu apoio e o meu repúdio. A agressão às instituições, não tolerarei. Sempre me mantive com respeito. A agressão às instituições é agressão à democracia”, disse.
DESABAFO – O repúdio de Alcolumbre foi feito na abertura da sessão do Senado desta quarta-feira, em meio a um longo desabafo sobre as pressões que ele vem sofrendo por relatar o projeto de socorro a estados e municípios na pandemia da Covid-19.
A proposta prevê congelamento de salário de servidores por 18 meses. Nos últimos dias, Alcolumbre tenta intermediar os pedidos da equipe econômica do governo e as pressões de parlamentares e de categorias.
Em tensão com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), nos últimos meses, o governo tem centralizado em Alcolumbre a negociação sobre projetos de seu interesse. Foi o caso do socorro a estados e municípios. Depois de a Câmara aprovar uma proposta classificada como de alto impacto fiscal pela equipe econômica, Paulo Guedes (Economia) pediu a Alcolumbre que mudasse o texto.
SILÊNCIO – Nesse papel, Alcolumbre tem evitado se posicionar publicamente sobre as últimas polêmicas do governo Bolsonaro. No episódio de demissão de Sergio Moro (Justiça), por exemplo, ele não se manifestou sobre as acusações do ex-ministro sobre Bolsonaro. No dia seguinte à participação do presidente em protesto com a defesa de uma intervenção militar em 19 de abril, ele desmarcou a sessão do Senado para evitar ampliar a crise.
O silêncio de Alcolumbre tem incomodado parte dos colegas, que vinham cobrando uma reação dele. A pressão se ampliou depois de mais uma participação de Bolsonaro em ato contra o Supremo e o Congresso. No último domingo, o presidente saudou os manifestantes e disse que o povo e as Forças Armadas estão ao seu lado.
No ato, jornalistas foram agredidos com chutes e murros. Em mais um ataque aos profissionais, ontem, Bolsonaro mandou repórteres “calarem a boca” em resposta a tentativas deles de fazerem perguntas na saída do Palácio do Alvorada.

TRANSCREVI DA TRIBUNA DA INTERNET

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