quinta-feira, 16 de abril de 2020

Por que o lockdown da Alemanha está errado - e a Suécia está fazendo muito melhor


"O declínio de novos casos de coronavírus não tem relação com o bloqueio, mas com o curso natural de cada epidemia”, afirma Stefan Homburg, professor da Universidade de Hannover:



O professor Stefan Homburg, diretor do Instituto de Finanças Públicas da Universidade de Hannover, publicou um artigo no jornal Die Welt no qual compara a Alemanha com países que optaram por não fazer o lockdown para lidar com o coronavírus: “Enquanto a Alemanha está parada, as escolas e lojas estão abertas na Suécia”, escreve. “No entanto, lá também estão diminuindo as novas infecções. Como isso é possível? A nossa estratégia baseia-se num enorme erro de previsão do Instituto Robert Koch (RKI), afirma”.

Sob o título “Por que o lockdown da Alemanha está errado – e a Suécia está fazendo muito melhor”, o professor constata que, embora não exista um lockdown na Suécia, o número de novas infecções está diminuindo. “Como explicar isto?”, pergunta.

“Vejamos primeiro a Alemanha”, propõe. “Os novos casos comunicados têm diminuído há três semanas. O número de mortes, por sua vez, atingiu o ápice e também começou a regredir. De acordo com a literatura especializada, entre a infecção e a morte decorrem em média 23 dias. Como a curva de mortes atingiu o cume em 7 de Abril, o maior número de novas infecções foi atingido em meados de março. Portanto, antes do lockdown – que foi decidido em 23 de março e entrou em vigor no dia seguinte”.

Por isso, ele observa que o resultado do bloqueio ainda não pode ser visto nas taxas de mortalidade e se tornará visível apenas na segunda quinzena de abril – “na melhor das hipóteses”, afirma. “O declínio de novas infecções e mortes não tem nada a ver com o lockdown, mas com o curso natural de cada epidemia e com as medidas de defesa convencionais tomadas, tais como higiene, testes e separação dos doentes”.

Os números da Suécia comprovam sua tese. Também lá, a quantidade diária de mortos primeiro aumentou e, depois, diminuiu. “Apesar da decisão de não entrar em isolamento não houve nenhum vestígio de crescimento exponencial de mortes”, diz.

Homburg observa que, embora a Suécia esteja apresentando uma taxa de mortalidade mais elevada que a da Alemanha, os hospitais não estão sobrecarregados, “e é isso que realmente importa”. Ele também lembra que mais suecos estarão imunes ao vírus no início da próxima estação viral.

“Em 20 de março, quando o vírus já estava contido na China e na Coreia do Sul, com mortalidades consideravelmente inferiores a 0,001% da população, o RKI apresentou cenários que previam pelo menos 300.000 mortes alemãs”, lembrou Homburg. “Três dias mais tarde, o governo decidiu iniciar o lockdown. Até agora, entretanto, cerca de 3.000 pessoas diagnosticadas com coronavírus morreram na Alemanha, e é pouco provável que este número aumente significativamente”.

O “gigantesco erro de previsão do RKI”, segundo Homburg, “nada tem a ver com o lockdown”, uma vez que seus efeitos só serão visíveis nas taxas de mortalidade em meados de abril.

Inicialmente, a Alemanha queria evitar a sobrecarga dos hospitais e, em 28 de março, a chanceler Angela Merkel prometeu no seu pronunciamento que o lockdown poderia terminar assim que o tempo de duplicação (ou seja, em que os novos casos registrados duplicasse) fosse superior a dez dias. Depois, o RKI e os políticos mudaram o indicador e passaram a considerar qualquer novo caso.

Em 3 de abril, Lothar Wieler, chefe do RKI, declarou que o número de novas contaminações estava estável e que a nova pretensão era reduzir a taxa de reprodução para valores inferiores a um. Assim, o RKI substituiu o “alvo de confinamento”, inicialmente proposto por Ângela Merkel, por “um alvo de extermínio”.

De acordo com Homburg, essa alteração é equivocada por três razões. Primeiro, não faz sentido zerar o número de mortes causadas pelo coronavírus. “Uma vez que, levando em consideração os inúmeros acidentes de trânsito, de trabalho e de lazer, todas as atividades humanas teriam de ser proibidas”.

Segundo, o objetivo de erradicação reduz o número de pessoas que, apesar da infecção, permanecem saudáveis e, consequentemente, imunes. “Queremos um novo lockdown no início da próxima onda do coronavírus? Todos os anos?”, pergunta Homburg.

Terceiro, às mortes causadas pelo coronavírus devem ser imputadas outras mortes resultantes do confinamento. “Quem calcula as pessoas que morreram por causa do adiamento de cirurgias?”, questiona. “Quem contabiliza os suicídios, que a experiência mostra aumentar mesmo durante recessões econômicas brandas? E quem considera que, a longo prazo, uma economia em crise não será obrigada a reduzir também a qualidade do sistema de saúde?”

Para Homburg, países como a Suécia, a Coreia do Sul ou Taiwan agiram sensatamente ao não aplicarem lockdowns. “Os virologistas ali presentes guiaram a população e os políticos através da crise com mão firme, em vez de os perturbar, mudando constantemente de rumo”, diz. “O coronavírus foi contido com êxito sem prejudicar os direitos fundamentais e o emprego”. Homburg defende que a Alemanha deve tomar esta política como modelo. (Revista Oeste).

Postado por Orlando Tambosi

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