
Se o brasileiro - o cearense no meio - ainda tinha dúvida sobre a importância da agropecuária na sua vida, a pandemia do coronavírus veio para dissipá-la. Está claro, bem claro, que são a agricultura, a pecuária e a hortifruticultura - ou seja, o setor primário da economia - que neste momento de grave e aguda crise mantém abastecidos de alimentos os supermercados do País, nas suas grandes, pequenas e médias cidades e nas menores e mais isoladas localidades. Não se trata de realçar algo abstrato, mas de destacar do agricultor - de qualquer porte econômico ou estrato social - que, ao longo do dia e da noite, trabalha para garantir o cultivo, a colheita, o armazenamento, o transporte e a distribuição do que produz, tudo feito de modo eficiente e discreto.
A pandemia do Covid-19, ao mesmo tempo em que causa tragédias ao redor do mundo, descobre e põe luz às atividades humanas mais essenciais. No caso, a mais antiga atividade econômica. No Brasil, essa descoberta é muito recente. Há menos de 30 anos, a agropecuária brasileira nem constava nas estatísticas mundiais. O País importava alimentos. Sua agricultura era rudimentar, e limitada às áreas próximas ao litoral. A criação da Embrapa em 1973 foi o passo inicial e acertado para a radical transformação por que passaram a agricultura e o agricultor brasileiros. Com a Embrapa chegou a tecnologia, que prosperou à medida que avançavam, com êxito, as mais sofisticadas pesquisas científicas. Antes de tornarem-se pesquisadores, os técnicos da Embrapa foram enviados para as grandes universidades do mundo, de onde retornaram doutores, e aqui passaram a aplicar, na prática, a teoria que absorveram. E foi aí que se revelou a criatividade inteligente da agronomia brasileira.
Foram a Embrapa e suas pesquisas que transformaram o chão improdutivo dos cerrados do Centro Oeste na mais espetacular área de produção de soja e algodão do mundo. Pelo mesmo motivo - isto é, a tecnologia da Embrapa - o Oeste da Bahia, antes um zero na economia, é hoje a mais efervescente zona de produção algodoeira do Nordeste. A região nordestina também descobriu outro invento tecnológico da Embrapa - o cajueiro anão precoce, que produz três vezes mais do que o antigo, já transformado, em muitas fazendas, em lenha para as caldeiras da indústria ceramista. Todas as grandes frentes da agropecuária nacional são produto dessa tecnologia. O Brasil é um dos três maiores produtores e exportadores de proteína animal, graças à alta linhagem de seus rebanhos bovinos, suínos e avícolas. E na hortifruticultura não é diferente - hoje, o Brasil é o maior exportador mundial de melão.
O País enfrenta uma grave crise sanitária com gravíssima e danosa repercussão social e econômica, ameaçando a sobrevivência das empresas e dos empregos. Mas a vida das pessoas, no Brasil, está garantida pelos alimentos produzidos no campo pelas mãos dedicadas do anônimo agricultor, que deve ser saudado em seu empenho.
Que se reforce o apelo à necessidade de se adotar posturas conscientes de consumo, em especial dos itens essenciais, durante os dias difíceis que todo o mundo enfrenta. A saída passa, necessariamente, por atitudes responsáveis e solidárias. Estas serão determinantes para a duração da crise que se enfrenta.
Transcrevi do Diário do Nordeste
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