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O Brasil vivia quebrado, por falta de divisas. A Argentina, em pleno ano de 2021, continua na mesma vidinha de sempre. J. R. Guzzo:
Brasileiros com menos de 35 anos de idade já não se lembram mais de uma das diversas cenas deprimentes que faziam parte da nossa vida diária até algum tempo atrás – as célebres, e ao mesmo tempo patéticas, visitas ao Brasil das “missões do FMI”. Era uma coisa triste.
Funcionários do Fundo vinham até aqui, periodicamente, para passar descomposturas nos ministros a Fazenda, presidentes do Banco Central e outros sultões da ”área econômica”, por não estarem fazendo direito os deveres que deveriam fazer, em sua condição de devedores do organismo internacional. Com educação, é claro – mas eram descomposturas de qualquer jeito.
O Brasil vivia quebrado, por falta de divisas. Por viver quebrado, vivia pedindo dólares emprestados ao FMI e a banqueirada estrangeira. Por viver mendigando empréstimo, tinha de prometer que atenderia a uma porção de exigências dos credores – as infames “Cartas de Intenção”.
Por não cumprir o prometido, enfim, vivia recebendo os burocratas do FMI para ouvir as suas broncas. Era a “crise cambial” permanente – um dos sinais de subdesenvolvimento mais explícitos que um país pode oferecer. Hoje, com 350 bilhões de dólares em reservas, o Brasil não pede nada ao FMI. Ao contrário, só paga por sua carteirinha de sócio.
Entra-se no túnel do tempo, assim, quando se vê o noticiário anunciar que a Argentina, em pleno ano de 2021, continua na mesma vidinha de sempre – está de novo às voltas com o FMI, de chapéu na mão, quebrada e dizendo que não tem como pagar, enquanto os peronistas de “centro esquerda” clamam em defesa da honra e da soberania nacionais. É o triunfo do atraso.
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Metrópoles
Postado por Orlando Tambos
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