
Edjailson Xavier Correia
Como pernambucano do Recife e conhecedor profundo da vida e história de nosso povo repilo essa homenagem a Domingos Calabar, um traidor que lutou contra as “tropas nativas do negro, branco e índio” que doaram suas vidas e seu sangue pela formação da pátria brasileira nas colinas sagradas dos Montes Guararapes.
Os brasileiros de todas as raças e suas famílias foram criminosamente atacadas pela maior armada do mundo à época, os holandeses, que cercavam as moradias e até tentaram sequestrar as esposa dos nativos que o combatiam com fé e coragem.
AS MULHERES HEROÍNAS – Entre os exemplos está a Batalha de Tejucupapo , distrito da cidade de Goiana Pernambuco, onde no dia 23 de abril de 1646 os holandeses resolveram invadir, sabendo que era domingo e as nativas moradoras ficavam sozinhas em suas casas, já que os maridos iam vender na cidade do Recife as frutas, verduras e outros produtos, como rapadura, farinha etc.
Quando a investida começou, as heroínas pernambucanas resistiram, tendo a frente Maria Camarão, Maria Quitéria, Maria Clara e Joaquina, que lutaram bravamente contra os holandeses, enquanto os poucos pernambucanos que lá estavam emboscavam nas matas os militares da “maior armada do mundo”. Essas mulheres de Tejucupapo, sem armas, ferveram água em tachos e panelas de barro, acrescentaram pimenta, e atacaram os holandeses com essa mistura jamais esperada por eles. Os olhos eram os principais alvos e a surpresa a melhor estratégia.
GRANDE VITÓRIA – O saldo da escaramuça foram mais de 300 cadáveres espalhados pelo vilarejo, em sua maioria de holandeses. A batalha durou horas, mas, naquele 23 de abril de 1646 as guerreiras de Tejucupapo saíram vitoriosas, mulheres brasileiras e pernambucanas.
Outro ato de heroísmo das mulheres pernambucanas foi o episódio das Damas de Casa Forte que após os holandeses invadirem o Forte no Bairro do Cordeiro no Recife e os casarios do local. Para obrigar os pernambucanos a se renderem, os holandeses colocaram nas janelas das casas grandes as esposas dos moradores, na tentativa de que os brasileiros se rendessem e não atirassem contra os holandeses, para não atingir as mulheres.
Os comandantes pernambucanos chegaram a pedir para cessarem fogo… cornetas tocaram. Eis que das janelas, debruçadas e expostas às balas, as Damas de Casa Forte, debruçando-se nas janelas, agitando os braços, cheias de heroísmo, gritavam paras as forças libertadoras nativas: “Atirem! Não se importem conosco, não. Atirem!”. Não foi preciso, felizmente, porque os holandeses estavam ficando cercados e tiveram de recuar.
ATAQUE AO ENGENHO – Outro ato que ficou na História ocorreu quando Fernandes Vieira e Vidal de Negreiros resolveram atacar os holandeses, que tinham conseguiram tomar a Casa de Engenho, que foi transformada num reduto deles. Os pernambucanos investiram como inacreditável coragem, utilizando apenas armas brancas, fazendo brilhar as lanças, espadas e facões.
E foi um assalto que honrou a bravura e o nacionalismo dos pernambucanos. E sabem quem mostrou e informou aos holandeses as defesas pernambucanas? Foi o traidor Calabar.
Por todas essas lutas, no Forte das Cinco Pontas, perto da Praça da Restauração, onde os holandeses assinaram a rendição, permanece hasteada a bandeira do Recife, em homenagem aos nossos heróis nativos pernambucanos, com a seguinte frase, que nos orgulha nessa cidade Invicta: ”Bandeira do Recife, Sempre para o Alto! Viva o Povo Brasileiro!”
Transcrevi da Tribuna da Internet
Nenhum comentário:
Postar um comentário