
Por Redação, 23:00 /
Diário do Nordeste
Entidade que se dedica a analisar cenários conjunturais e estruturais sob as óticas econômica, social e jurídica, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) divulgou relatório segundo o qual mais de 30 milhões de brasileiros estão superendividados. É um quadro inquestionavelmente preocupante. Isso significa que um contingente equivalente à soma das populações dos estados do Ceará, Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas está enfrentando especiais dificuldades. São, a rigor, pessoas que não têm mais condições financeiras para pagar as dívidas que contraíram.
Os dados apurados pela ONG, que avalia panoramas com base em informações oficiais de abrangência nacional, podem ser vistos com contornos mais dramáticos ainda, uma vez que representam a metade dos brasileiros que estão negativados em cadastros de proteção ao crédito.
É uma situação que não deve ser avaliada apenas pela frieza estatística. Há o lado humano, que envolve circunstâncias pontuais e perspectivas - e esse lado não pode ser desconsiderado. Mais: é reveladora de um processo de derretimento da economia que, não sendo contido, tende a descambar para arranjos extremamente desoladores.
Os estudos indicam que o superendividamento pode decorrer de fatores distintos, como o desemprego, as compras por impulso, os financiamentos mal-planejados, falta de atenção e o descontrole dos gastos. O consumidor que possui dívidas que superem sua renda e seu patrimônio é classificado como superendividado. Pode-se classificar esse problema como uma doença da economia, portanto, uma vez que se opõe ao conceito de vida financeira saudável. Os especialistas asseguram que é difícil sair do superendividamento, embora não seja impossível.
Nesse mesmo diapasão, seria legítimo definir um levantamento dessa natureza como um diagnóstico autêntico. Compreendê-lo assim, com o adequado respeito a eventuais vulnerabilidades, pode ser o primeiro passo para a correção de rumos.
Há, aliás, um remédio frequentemente receitado para sarar mazelas do gênero: a informação. Ter consumidores conscientes de seus direitos, deveres e potenciais é, afinal, critério prioritário para que se possam alcançar os níveis de crescimento e qualificação almejados por todos - sejam governos, iniciativa privada ou entidades representativas de trabalhadores e empresas.
O Banco Central do Brasil, entre outras instituições que compõe o sistema financeiro nacional, tem listada uma série de providências que o cidadão pode adotar com o fito de se preservar de revezes como o superendividamento. Cabe destaque para a recomendação de que se deve eliminar o desperdício por completo. "Também é prudente cortar despesas não essenciais", alerta o BC, acrescentando que é sempre mais eficiente evitar a situação do que se desvencilhar dela.
A se seguirem as orientações do Banco Central, é positivo defender que se reconheça o desafio logo nos primórdios, garantindo às gerações mais jovens recursos para que avaliem eficazmente o que as cerca e as pode ameaçar. E mais uma vez a educação desponta como ferramenta essencial para transformar.
A cura é o saber.
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