terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Concentração de renda desfez o planejamento urbano das grandes cidades do país


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Em São Paulo, em todo verão ocorrem enchentes  insuportáveis
Pedro do Coutto
Na minha opinião, a concentração de renda que tem se ampliado ao longo das décadas abalou e até bloqueou o planejamento urbano projetado para as grandes cidades brasileiras. É o caso, por exemplo, do Rio de Janeiro, da cidade de São Paulo e de Brasília que são suficientes para comprovar a vinculação entre os projetos urbanísticos e as concentrações de renda.

São Paulo torna-se o maior flagelo agora com as chuvas torrenciais e as enormes enchentes que tantos prejuízos causaram a maior cidade brasileira.
RIO E BRASÍLIA – O Rio de Janeiro, com sua favelização crescente, encontra-se entre os exemplos definidos pelo contraste social capaz de evitar que bairros da periferia cresçam respeitando os princípios que devem nortear a evolução urbana.
Brasília é outro exemplo definitivo. O Distrito Federal, de acordo com o plano urbanístico de Lúcio Costa, tinha previsto um ritmo de ampliação das cidades satélites. Mas a Ceilândia, Gama e outras cidades cresceram muito rapidamente, o desenvolvimento social tornou-se muito inexpressivo e terminou acarretando problemas para toda a capital federal.
As enchentes que atingiram também Belo Horizonte e Porto Alegre representam bem uma consequência do fato de as galerias pluviais não darem escoamento compatível com o número de habitantes.
SUPERLOTAÇÃO – As populações passaram a apresentar diferenças cada vez maiores entre o que Elio Gaspari chama de andar de cima do andar de baixo. Na realidade, existem andares de cima e andares de baixo cada vez com maior número de habitantes.
O fato é que as populações de menor renda, em face de uma estrutura de concentração de renda muito forte, terminam se expandindo com maior velocidade do que as áreas de rendas média e alta. Quem percorre o Rio de Janeiro constata que as favelas estão presentes em praticamente todos os bairros. A cidade tem hoje 6 milhões e 500 mil habitantes. E um terço desse total pode se situar e dar força aos critérios que definem situações de risco.
Na capital paulista, a GloboNews apresentou ontem desabamentos de casas e prédios construídos de maneira precária, causados pela impossibilidade de resistirem à força das águas. O triste fenômeno apresenta-se também como sintoma de risco em vários centros urbanos.
PODER AQUISITIVO – Enfim, se as populações de renda menor tivessem um poder aquisitivo que lhes permitisse viver em outras condições certamente os problemas se reduziriam de forma bastante sensível.
O tema arquitetura e urbanismo apresenta-se como uma solução de bom gosto para os pontos principais do crescimento urbano. Mas o embelezamento das cidades é apenas uma parte da questão que envolve os seres humanos.
O caso das enchentes infelizmente atinge toda a população. A pergunta que se faz é se um novo projeto de urbanização tornar-se-á possível depois dos fatores adversos que bloquearam seu êxito ao longo das últimas décadas.

TRANSCREVI   DA TRIBUNA  DA  INTERNET

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