
Desta vez, Ruy Castro homenageia o Rio dos anos 20
Pedro do Coutto - Tribuna da Internet
Excelente, sob todos os aspectos, “Uma Metrópole a Beira Mar”, obra mais recente do jornalista escritor Ruy Castro, que focaliza a vida da cidade do Rio de Janeiro na década de 20 até 1930, destacando episódios vibrantes da cultura carioca, aos quais focaliza pelas lentes do tempo presente.
A grande importância da obra estende-se, a meu ver, à tradução de episódios idos, resgatados por realidades que se foram mas que encontram no presente a tradução de sua importância.
DÉCADA MÁGICA – Lançado em novembro tem proporcionado aos leitores a dimensão de sua importância. Neste ponto, uma espécie de tempos reencontrados ao longo daquela década. Tempos reencontrados pelo autor conduzem a uma perspectiva e na sua forma apresenta alguma semelhança com um capítulo de Marcel Proust.
Ruy Castro é, sem dúvida, um pesquisador incansável, um arqueólogo dos fatos e das palavras que exprimem pensamentos e ações que muitas vezes se perdem na poeira do tempo.
Aí entra Ruy Castro resgatando memórias que passam a ganhar maior importância quando analisadas pelas lentes do tempo presente. Esse fenômeno é peculiar à cultura, que vai se enriquecendo na medida em que deixam o esquecimento e passam a ser também um instrumento de percepção das décadas que se passaram.
POR DENTRO DO TEMPO – O período enfocado começa em em 1920 e se estende até 1930. A questão, entretanto, não é tão simples porque o livro estende suas bases em fases anteriores recuando ao início do século na medida em que de 1920 a 1930 acontecimentos por seu turno foram provenientes de anos mais distantes. Uma espécie de Amacord felliniano, capaz de unir as emoções de acontecimentos a interpretação e também revisão sob as luzes da cultura moderna.
Quando falo em cultura estou me referindo ao conjunto de tudo que aconteceu passando por interpretações que separam um episódio do outro na trilha de uma pesquisa fatalmente deslumbrante.
É para essa viagem que Ruy Castro convida a todos para embarcar na imaginação, tradução e na interpretação do que aconteceu.
FATOS SE SUCEDEM – Aliás, até na minha impressão, os fatos que se sucederam, quando ingressam numa perspectiva moderna, continuam acontecendo, na medida em que se incorporam a cada geração na memória coletiva. “Metrópole à Beira Mar” incorpora esses acontecimentos, as emoções que ficaram no passado, também as emoções do presente. Pois a cultura é antes de tudo uma acumulação de fatos concretos incluindo suas formas de tradução interpretativas.
Ruy Castro assim, para mim, é um arqueólogo do que aconteceu projetando tudo na tela atual do que está acontecendo. Um passageiro da história, um autor ao mesmo tempo ator e personagem do eterno processo humano de compreender que a cultura com o passar do tempo torna-se cada vez maior. Os fatos de hoje serão incorporados no amanhã.
Ruy Castro transforma-se assim também no autor de amanhã. Seus leitores vão acompanhá-lo no futuro.
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