segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Parlamento iraquiano aprova expulsão das tropas do EUA e Trump ameaça punir o país


Parlamento iraquiano realiza sessão extraordinária para votar expulsão de tropas americanas do país Foto: HANDOUT / REUTERS
Esta decisão do Parlamento do Iraque foi uma derrota para Trump
Deu no New York Times
O Parlamento iraquiano aprovou neste domingo uma resolução que pede a retirada das tropas americanas do país. A medida é uma represália ao assassinato do general iraniano Qassem Soleimani e do comandante militar iraquiano Abu Mahdi al-Muhandis, em um ataque com mísseis realizado pelos Estados Unidos na madrugada de sexta-feira (hora local) no aeroporto internacional de Bagdá.

Soleimani dirigia as Forças Quds da Guarda Revolucionária do Irã, unidade de elite responsável pela articulação regional dos diversos grupos pró-Irã em países como Síria e Iraque. Muhandis era vice-comandante das Forças de Mobilização Popular (FMP), coalizão de milícias xiitas pró-Irã criadas no Iraque para combater o Estado Islâmico. Ambos haviam combatido o EI ao lado de forças americanas.
SITUAÇÃO ATUAL – Os EUA invadiram o Iraque em 2003 para derrubar Saddam Hussein, sob o falso pretexto de que ele detinha armas de destruição em massa, e oficialmente se retiraram em 2011. Posteriormente, foi feito um novo acordo específico para combater o Estado Islâmico, grupo fundamentalista da vertente sunita do islamismo que a partir de 2014 ocupou várias cidades iraquianas. Os EUA mantêm atualmente cerca de 5.200 soldados no Iraque.
O acordo legal entre Bagdá e Washington afirma que as tropas americanas estão no Iraque “a convite” do governo local para combater o EI. Resoluções parlamentares, ao contrário de leis, não são vinculantes para o governo, mas o primeiro-ministro Adel Abdul Mahdi disse, em conversa com o ministro do Exterior francês, que está trabalhando em um documento para pôr a resolução em prática.
Assim, em tese, os americanos seriam forçados a retirar a maior parte de seus militares do país. Um número indeterminado de soldados poderia ficar sob outro acordo bilateral, o Acordo de Parceria Estratégica, mas com atuação mais restrita.
TRUMP AMEAÇA RETALIAR – Ao comentar a decisão, o presidente americano, Donald Trump, disse que pode aplicar sanções contra Bagdá caso suas tropas sejam expulsas do país árabe.
— Se eles nos pedirem para sair, se isso não ocorrer de uma maneira amistosa, nós vamos aplicar sanções como eles jamais viram antes. Vão fazer com que as sanções contra o Irã pareçam brandas — afirmou a repórteres na noite deste domingo. — Temos uma base aérea extraordinariamente cara ali. Custou bilhões de dólares para construir. Não vamos sair a menos que nos paguem por ela.
O Iraque foi alvo de um embargo quase completo, imposto pelo Conselho de Segurança da ONU, entre 1990 e 2003, durante o regime de Saddam Hussein. As medidas foram adotadas inicialmente por conta da invasão do Kuwait e, posteriormente, ligadas ao desenvolvimento de armas de destruição em massa, programas de mísseis balísticos e apoio ao terrorismo.
PRESENÇA ESTRANGEIRA
A resolução do Parlamento determina que o governo “acabe com qualquer presença estrangeira no solo iraquiano e previna o uso do espaço aéreo, solo e água iraquianas por qualquer razão”, sem determinar um prazo para que isto seja feito.
Convocada após o ataque contra Soleimani e al-Muhandis, a sessão parlamentar extraordinária foi aberta pelo primeiro-ministro Mahdi, que disse que pôr um fim à presença de soldados estrangeiros no país é o melhor para o Iraque, apesar das dificuldades internas e externas que isso pode causar.
Ele disse ainda que Trump havia lhe telefonado para pedir que mediasse a crise entre os EUA e o Irã  antes de ordenar o ataque com mísseis que matou Soleimani e al-Muhandis. Segundo Mahdi, o general iraniano levava a resposta do seu país a uma iniciativa saudita para aliviar as tensões na região quando foi morto.
AUMENTO DA TENSÃO – A decisão de Trump de ordenar o ataque de sexta-feira se seguiu a um ano de recrudescimento da tensão entre os EUA e o Irã, depois que Washington abandonou em maio de 2018 o acordo nuclear firmado entre Teerã e as principais potências globais em 2015 e reimpôs sanções econômicas ao país persa.
Os incidentes mais recentes tiveram início depois que o Kataib Hezbollah, um dos grupos das FMP, foram acusados de um ataque que em 27 de dezembro matou um funcionário americano terceirizado em uma base dos EUA na cidade iraquiana de  Kirkuk. Em represália, bombardeios americanos no dia 29 mataram 25 integrantes do grupo na Síria e no Iraque.
Respondendo aos bombardeios, manifestantes pró-Irã e membros das FMP tentaram invadir a embaixada americana em Bagdá no último dia 31.
MAIS MENTIRAS – Trump acusou Soleimani de orquestrar a tentativa de invasão e alegou que os assassinatos foram preventivos, já que o iraniano estaria preparando uma onda de ataques a alvos americanos na região.
Essa informação, no entanto, já está sendo questionada pela imprensa americana e pela oposição democrata.

Transcrevi da Tribuna da Internet

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