quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Nem capitalismo nem comunismo, a salvação do mundo está no socialismo democrático

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ilustração reproduzida do Arquivo Google
Carlos Newton - Tribuna da Internet
Muita gente acreditava que o mundo fosse acabar ou se modificar no ano 2000. A decepção foi grande, porque nada mudou, a população continuou crescendo e passou dos 6 bilhões de habitantes. Mas o que aumentou mesmo foi a pobreza, consolidando uma situação de “brutal desigualdade” que manchou o surgimento do novo milênio, segundo a declaração oficial da Organização das Nações Unidas (ONU).

FRACASSO EM DOBRO – Há 20 anos, na virada do milênio, todos já sabiam que o comunismo havia fracassado e não mais existia na Rússia nem na China. Mas esse relatório da ONU no ano 2000 mostrou que também o capitalismo havia fracassado, pois o fosso entre a riqueza total e a miséria absoluta continuou se aprofundando.
Essa tese eu já vinha defendendo desde 1978, quando dirigia a “Revista Nacional”, que circulava encartada em jornais de mais de 20 estados e tinha a maior tiragem da imprensa brasileira. Escrevi naquela época uma série de artigos sob o título “O fim das ideologias”. A repercussão foi intensa, a ponto de provocar discussões formais no curso da Escola Superior de Guerra.
SOCIALISMO DEMOCRÁTICO – A opção que restou foi o socialismo democrático, que é um mix de capitalismo e comunismo e está demonstrando sua viabilidade como modelo político nos países nórdicos, que já conseguiram chegar a índices satisfatórios de justiça social, qualidade de vida e oportunidades de ascensão para as camadas menos privilegiadas. Trata-se de uma realidade que ninguém pode contestar.
No caso específico do Brasil, que está entre as dez maiores economia do mundo e tem a quinta maior população, o que fizemos foi cultivar uma jabuticaba política, criando um regime muito doido, no qual convivem o capitalismo selvagem e o socialismo estatal.
Em entrevista à Folha em 2016, o ministro Luís Roberto Barroso lançou uma interessante frase de efeito, ao criticar o supersalário de juízes e a apropriação indevida de recursos públicos pelos agentes do Estado.: “O modelo no Brasil não é propriamente capitalista. É um socialismo para ricos”, disse Barroso, cheio de razão.
UM REGIME ENLOUQUECIDO – Na verdade, o regime brasileiro nada tem de socialista, mas nada mesmo, nem mesmo na Era do PT. Chamar de socialismo o SUS, o Bolsa Família, o ensino público e o Minha Casa Minha Vida, sem a menor dúvida, é um deboche inaceitável. A possibilidade de um estudante pobre entrar numa universidade pública é de apenas 2%.
O regime vigente no Brasil é o pior tipo já testado no mundo contemporâneo – um capitalismo sem risco, meramente financeiro, em que os investidores são desestimulados a aplicar recursos em atividades produtivas. Simplesmente investem o dinheiro financeiramente e ficam arrecadando juros sobre juros. São os chamados “rentistas”.
Para evitar o caos, o ministro Paulo Guedes adotou uma política financeira acertada, derrubando a taxa de juros a 4,5 ao ano. Com isso, atingiu duramente os “rentistas”, mas eles deram um jeitinho brasileiro e se mudaram para a Bolsa de Valores.
E A DÍVIDA SOBE… – Mesmo assim a dívida pública continua a crescer e em novembro passou de 77% do PIB. A teoria econômica é consensual a respeito. Só existe uma maneira de enfrentar essa dívida – acumular superávit primário. Mas no Brasil isso é apenas um sonho. O déficit primário do chamado governo central (formado pelo governo federal, Banco Central e INSS) em novembro chegou a R$ 72,8 bilhões.
A meta do governo é reduzir a dívida para 73,5% do PIB em 2028. Até lá morreu o Neves, como dizia a velha piada. Aliás, o genial economista britânico John Mainard Keynes, que gostava de medidas a curto prazo, costumava alertar que “a longo prazo estaremos todos mortos”.
Os países só devem se endividar para investir em crescimento econômico. No caso do Brasil os sucessivos governos, a partir de Fernando Henrique Cardoso, se endividaram para criar um Estado rico e portentoso, com os prédios públicos mais ricos do mundo e uma extravagante nomemklatura que vive na Ilha da Fantasia.
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P.S. – É por isso que os pequenos avanços econômicos obtidos em 2019 devem ser anunciados pelo governo com moderação. Embora seja o país de maior potencial de crescimento no mundo, o Brasil continua amarrado a um atraso verdadeiramente inexplicável, do qual somente sairá quando estiver explorando suas riquezas.  (C.N.)

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