terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Só o desenvolvimento social poderá enfrentar a violência e assegurar o progresso


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Charge do Eugenio Mendes (Arquivo Google)
Pedro do Coutto - Tribuna da Internet
O Datafolha concluiu pesquisa destacando o pensamento da grande maioria dos brasileiros no sentido de que só o desenvolvimento social do país pode enfrentar a violência e assegurar o crescimento econômico. O repórter Tiago Amâncio, Folha de São Paulo de segunda-feira, analisa os resultados concluindo pela necessidade urgente de o governo investir firme na área social para conter a onda de criminalidade que aterroriza a população e com isso trava o progresso como um todo.

Uma tarefa, não se enganem os leitores, para cerca de vinte anos, tais são as condições de atraso que atingem a maioria da população.
OS MISERÁVEIS – Estamos em um país em que quase a metade da mão de obra ativa recebe apenas um salário mínimo mensal. A consequência vem de longe e governo algum norteou uma política de valorização humana diante da extrema concentração de renda que sufoca a imensa maioria dos que trabalham, atingindo por igual os regidos pela CLT e aqueles que se encontram no funcionalismo público.
Pode-se até dizer que os vencimentos do funcionalismo superam os do mercado de trabalho de modo geral. Mas é preciso não esquecer que enquanto os trabalhadores privados e das estatais têm o FGTS, os funcionários estão fora. A diferença é de 8% sobre os vencimentos e multiplicando-se esta receita ao longo do tempo vai se observa a dimensão verdadeira dessa capitalização.
FALTA EMPREGO – O desenvolvimento social começa pelo emprego, o que no Brasil tornou-se um problema grave uma vez que o índice de desemprego encontra-se no patamar de 11,2%, dado do IBGE. Esse índice foi publicado ontem equivalendo a uma queda de 0,6%, fração muito longe de poder representar um avanço social. Inclusive o resultado embute um confronto entre as admissões e as demissões. Claro, porque no cotejo o avanço no plano do emprego tem de ser confrontado com a perda de postos de trabalho, uma vez que as demissões não podem ser iguais a zero durante novembro, quando o IBGE concluiu a pesquisa.
RETROCESSO SOCIAL – Analisando-se o panorama brasileiro verifica-se que estamos muito atrasados em matéria de avanço social. Metade das cidades brasileiras não  possui sistema de tratamento de esgoto. Apenas 10% dos que trabalham recebem por mês entre cinco e nove mil reais. A renda média do trabalho em nosso país fica na escala de 2.300 reais mensais.
De fato, a situação exige um esforço enorme, especialmente no que se refere à redistribuição de renda. E não é possível implantar um modelo redistributivo se a corrupção não for arrasada. Porque nada mais concentrador de renda do que a corrupção. Por isso é que, na minha opinião, predominou no país nos últimos 20 anos uma política conservadora na pior acepção da palavra.

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