
A crise é nacional, causada pela insensibilidade dos políticos
Pedro do Coutto
O título deste artigo eu acredito se encaixa bem como síntese de uma calamidade pública que atinge milhões de pessoas carentes, tragédia que se expande dia a dia e se confirma no destaque dos jornais e das emissoras de televisão. No estado do Rio de Janeiro, basta lembrar uma confissão do ex-secretário de Saúde, Sérgio Cortes, que em uma entrevista à Veja, páginas amarelas, confessou publicamente ter roubado 300 milhões de reais, maior parte do Instituto de Traumatoortopedia, o INTO.
Evidente que não roubou sozinho, porque trata-se de um esquema organizado tão repugnante como seus autores, que chegaram ao ponto de deixar peças de atendimento se estragarem para adquirir novas a preços inflados.
DUPLO EFEITO – Não é só no Estado que se desenrola o processo. A Prefeitura do Rio encontra-se ainda pior do que a situação estadual, embora contribua para sua expansão a outras cidades fluminenses.
Faltam medicamentos, equipamentos, faltam as coisas mais simples que funcionam para socorrer pessoas adoentadas de modo geral.
De modo particular, escasseiam ainda mais serviços que atendem a emergências, pode ser acrescentados também casos de atendimento cirúrgico. Mas as cirurgias só podem ser executadas meses depois do diagnóstico. Incrível como sofrem as pessoas de menor renda não têm condições de procurar um atendimento imediato. A crise na saúde, de todas, a meu ver é a pior. Porque a falta de atendimento pode levar à morte.
DESPREZO – E além disso significa um desprezo pelo ser humano. Tem-se a impressão que o sadismo está presente nas omissões sucessivas de um setor que limita a diferença entre a existência e a morte. Falar em cirurgias é falar sobre uma remota ação dos profissionais de saúde. Mas antes de cirurgias, a falha é total no campo do diagnóstico, Casos gravíssimos têm as cirurgias marcadas para daqui a seis meses. Seis meses ainda é um tempo menor do que a média dos casos.
Faltam leitos, falta tudo, diante da marcação de radiografias e de exames computadorizados para seis meses depois. Não há reciprocidade. Há drama. Um escândalo marcado também pela crueldade diante do desespero das pessoas que querem apenas exercer o direito de contribuintes do poder público. Uma calamidade absolutamente imoral que nasce da omissão de governantes.
Transcrevi da Tribuna da Internet
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