
A mão invisível capaz de sacudir milhares ao mesmo tempo
Marcelo Copelli - Tribuna da Internet
Devoção, encantamento, paixão sem limites. Um mergulho coletivo, onde “ninguém larga a mão de ninguém”, onde o fôlego é compartilhado, capaz de unir desconhecidos que “se reconhecem” e se tornam amigos fraternos pelo olhar, pela camisa, pelo abraço na hora do gol ou pelo choro insubmisso após uma derrota.
É assim, como telespectador que de longe observa, que vejo o amor pelo futebol. Podendo ser considerado um carioca “atípico”, indiferente ao andamento das tabelas estaduais ou nacionais do esporte, confesso que tento sentir, com uma certa pitada de admiração, a ligação quase que umbilical de milhares de torcedores com seus times. Não há questão, naquele momento, que interfira na explosão de sentimentos, sobretudo em uma decisão mundial.
“A MISSÃO” – E é dessa forma que começo a explicar, ainda sem jeito, o que se segue. Hoje pela manhã, recebi a sugestão do amigo CN, pedindo que eu escrevesse sobre o jogo que, mais uma vez, pararia o Rio de Janeiro e, certamente, vários outros pontos do Brasil. Independentemente de torcer ou não pelo time em campo, cada um se sente representado, ainda que não confesse, acredito.
Mas a minha questão não era escrever sobre o jogo em si, opinar sobre as estratégias ou técnicas. Ou melhor, era. E respondi ao amigo, que tentaria mesmo, nesse caso, me considerando um mero “alienígena” que, de binóculos, apenas admira a alegria que pinta as ruas da cidade, se comove com os gritos de todas as idades que ecoam pelos quatro cantos do país e tenta entender a motivação de tanta paixão. Mas, que em sua intimidade, se reserva à solidão da percepção.
PLACAR DESCONHECIDO – Em tempo, escrevo essas linhas antes da partida. Achei melhor não saber o resultado, pois, independentemente do placar, busquei optar por um outro caminho e escrever sem o vício apaixonado ou possíveis interferências.
Aos mais espantados diante da minha afinidade esportiva, digo que já torci pelo América do Rio. Não brigava com ninguém e, de certa forma, era querido por todos. Alguém não gosta do América ? Não tem como. É o segundo time de todo carioca. Por afeição ou pena mesmo.
COMOÇÃO – Mas, voltando à minha auto-exclusão das rodas de conversas futebolísticas, as finais importantes, que envolvem uma grande comoção, sempre me chamaram a atenção. Talvez mais pela necessidade de entendimento sobre o sentimento que se desdobra coletivamente e de forma impressionante, do que pelo próprio desfecho, no meu caso.
Tanto a alegria quanto a tristeza motivadas por uma final nos espantam. Como se fosse uma mão invisível capaz de sacudir milhares de pessoas ao mesmo tempo e uni-las sob um só manto, ou acolhê-las em um só pranto. E na preparação para uma final, vale tudo. O importante é se sentir parte. É ter motivo para comemorar e enfim dizer “é do Brasil !”.
ESPETÁCULO – Para uns é um momento de fuga do cotidiano tão fatigado. Para outros, um breve, porém marcante, momento em que as diferenças são deixadas para trás.
Busquei explicações para assimilar tanta gana pela questão, mas percebi, ao longo dos anos, que é simples magia. E para isso não há explicação. Mesmo de fora, reconheço, o espetáculo não pode e não deve parar. Essa emoção, ninguém é capaz de tirar.
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