Charge do Duke (dukechargista.com.br)
Pedro do Coutto - Tribuna da Internet
Reportagem de Cassia Almeida e Naise Domingues, edição de domingo de O Globo, destaca o fato de ter crescido o trabalho em casa como um fenômeno possível na prática de combater o desemprego. De 2018 a 2019 um milhão e duzentas mil pessoas passaram a trabalhar nas próprias residências buscando assim obter algum rendimento nesta época de desemprego. As duas repórteres acentuam que no momento esse tipo de trabalho avulso já reúne 4,5 milhões de homens e mulheres.
Os números decorrem de um estudo da Consultoria IDADOS que, por sua vez analisou o relatório do IBGE. Claro que esse processo resulta em um avanço social, mas também bloqueia as receitas do INSS, FGTS, além do próprio Imposto de Renda.
FOI MANCHETE – Portanto, tem pleno cabimento O Globo de domingo editar a matéria como a principal manchete do jornal. A técnica em administração Karen Luz ressalta as vantagens do trabalho nos locais de suas residências. Entretanto, digo eu, trata-se de um avanço para substituir postos de trabalho formais. Mas não resolve o desafio maior que o país enfrenta hoje, como resultado de omissões dos governos Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e também do projeto do ministro Paulo Guedes.
Não resolve o problema porque a única forma maciça de expandir o mercado de trabalho está numa política oficial de combate exatamente tanto o desemprego quanto o não-emprego. A aquisição de bens de consumo depende dos salários, que são, por sua vez, as fontes de receita da Previdência social e do FGTS, além de serem uma ponte parcial de contribuição para o Imposto de Renda.
PLANOS SENSÍVEIS – Mas falei no desemprego e também no não-emprego. São dois planos extremamente sensíveis. Os leitores talvez sintam uma dúvida quanto ao não-emprego. Explico: os desempregados são os que estavam trabalhando e perderam seus postos, os não empregados não são objeto de pesquisa clara e lógica. Não podem ser considerados desempregados, pois nunca obtiveram emprego. Por isso o não emprego possui uma dimensão muito grande entre os jovens, especialmente quando jovens atingem em torno de 20 anos de idade e não conseguem colocação.
A taxa demográfica brasileira resulta de 1%, o que representa mais 2 milhões de pessoas ao ano. Se esse é o crescimento da população, significa também o caminho para os jovens no mercado de trabalho. Aliás, grandes empresas levam sempre em consideração o fato de a cada mês o movimento demográfico acrescentar novos consumidores.
Mas o crescimento do consumo depende sempre de um aumento da massa salarial. Este é o grande desafio.
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