
Collor participava dos leilões por meio de um testa de ferro
Breno Pires
Pepita Ortega
Fausto Macedo
Estadão
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira, dia 11, a Operação Arremate, visando desarticular um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo compras de imóveis em leilões públicos. A ação investiga suposto envolvimento do senador e ex-presidente Fernando Collor (PROS-AL) em arrematações de bens, cujos valores, segundo a PF, somam R$ 6 milhões.
Cerca de 70 policiais federais cumprem 16 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador em Maceió (AL) e em Curitiba (PR). As ordens foram autorizadas pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.
HASTAS PÚBLICAS – Os crimes teriam ocorrido a partir da compra de imóveis em hastas públicas em 2010, 2011, 2012 e 2016. Hasta é um ato da justiça pelo qual são vendidos bens de um devedor, para que, com o dinheiro da venda, possa-se pagar a um credor e as custas de um processo de execução de dívida.
A corporação diz que o senador teria utilizado uma pessoa interposta – ‘testa-de-ferro’ – para ocultar sua participação como beneficiário final das operações. “As compras serviriam para ocultar e dissimular a utilização de recursos de origem ilícita, bem como viabilizar a ocultação patrimonial dos bens e convertê-los em ativos lícitos”, diz a Polícia Federal.
No conjunto de ilícitos em apuração, estão os crimes de lavagem de ativos, corrupção ativa, corrupção passiva, peculato e falsificações, além de integrar organização criminosa.
ODEBRECHT E BR DISTRIBUIDORA – Em agosto, a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge , pediu o arquivamento de inquérito aberto com base na delação da Odebrecht para investigar Collor. Ela contrariou em parte o relatório final da Polícia Federal (PF).
O delegado Orlando Cavalcanti Neves Neto tinha assinado relatório no qual dizia haver elementos para concluir que Collor cometeu o crime de corrupção passiva.
Já em setembro, Fachin arquivou o inquérito que apurava se o senador cometeu peculato. Em maio, a PGR acusou o parlamentar de atuar para que a BR Distribuidora firmasse contratos com a empresa Laginha Agro Industrial, de propriedade do também alagoano João Lyra , com quem Collor mantém relações políticas, de amizade e familiares.
DEFESA – O senador Fernando Collor de Mello afirmou, por meio de sua assessoria, que vai se manifestar a respeito da operação por meio de rede social. Até a última atualização desta reportagem, o senador ainda não havia se pronunciado.
Fonte: Tribuna da Internet
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