sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Promotor afastado diz ser alvo de ‘perseguição hedionda’, por investigar governo Renan Filho

                     Promotor Coaracy Fonseca e o chefe do MP de Alagoas Alfredo Gaspar em solenidade com o governador Renan Filho. Fotos: Redes sociais e Agência Alagoas
Promotor Coaracy Fonseca e o chefe do MP de Alagoas Alfredo Gaspar em solenidade com o governador Renan Filho. Fotos: Redes sociais e Agência Alagoas


Punido nesta quinta (26) com o afastamento de seu cargo por 60 dias, por publicar vídeos e textos nas redes sociais com críticas contundentes e muitas vezes genéricas ao Judiciário e ao Ministério Público, o promotor de Justiça e ex-chefe do MP de Alagoas, Coaracy Fonseca, reagiu em seu perfil do Instagram dizendo estar sendo vítima de uma “hedionda perseguição política”, por investigar o governo de Renan Filho (MDB).

Nas mesmas redes sociais que o levaram ao seu afastamento, o promotor ainda acusou o procurador-geral de Justiça Alfredo Gaspar de Mendonça Neto – ex-secretário de Segurança Pública do governador emedebista – de levar o MPAL ao fundo do poço, “movido por pretensões políticas”.

A justificativa oficial para o afastamento de Coaracy, determinado pelo Conselho Superior do MP de Alagoas, é de que o promotor desrespeitou padrões de comportamento, através de ataques às instituições do Judiciário e do órgão ministerial nas redes sociais. Postura mantida mesmo após uma advertência e duas censuras anteriores, por contrariar normas do Conselho Nacional do MP (CNMP).

Sem ter recorrido de punições anteriores, o promotor punido disse em entrevista ao portal Gazetaweb que não é “obrigado a seguir a conduta política do procurador-geral de Justiça”. E listou um série de casos que investiga, pedindo olhar vigilante da sociedade; entre eles o de uma “transação tributária entre o Grupo Nivaldo Jatobá e o Estado de Alagoas, no qual [R$] 15 milhões pagaram [R$] 55 milhões”; e na ação civil pública contra o vice-governador e secretário da Educação Luciano Barbosa (MDB), denunciado por abandonar de 166 alunos com autismo em Alagoas.

Coaracy ainda cita as seguintes denúncias: “Do caso dos créditos suplementares. Do caso da Infovia, caso de interesse de um irmão do Senador Renan Calheiros. Caso TCAL [Tribunal de Contas de Alagoas]. Contratações sem concurso. O Escândalo financeiro no Detran, além dos processos que correm em sigilo sobre lavagem de dinheiro”.



“Sou apenas um Promotor de Justiça. Fiz o que pude. Urge uma auditoria em todos os contratos da Secretaria de Segurança Pública na gestão do Sr. Alfredo Gaspar, sejam estaduais, sejam federais. Uma auditoria independente, que não possa ser intimidada”, disse Coaracy.

No fim da tarde desta quinta, o promotor afastado publicou em seu perfil do Instagram uma foto em que dizia não adiantaria Alfredo Gaspar fazer supostas ameaças através de ações. “Vou continuar a exercer o meu ofício de Promotor de Justiça, de acordo com a LEI, nem mais nem menos. Sou um técnico do Direito. Agora se o Senhor quiser fazer comigo a teratologia que fez com uma filha de Desembargador terá a devida resposta técnica”, declarou Coaracy, em referência clara à denúncia de Alfredo Gaspar contra a secretária da Cultura e Mellina Freitas, filha do desembargador Washington Luiz Damasceno Freitas, acusada de 483 crimes quando prefeita de Piranhas, em 2013.


Sobre os ataques ao Tribunal de Justiça nas redes sociais, o promotor disse que apenas repercutiu o que estudos científicos já afirmam, ao afirmar que o Judiciário é historicamente ligado à aristocracia, citando o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Nunes Leal Maia.

A punição ao promotor Coaracy decorre de inquérito administrativo instaurado pelo corregedor-geral substituto, do MP de Alagoas, Luiz de Albuquerque Medeiros Filho, com pedido de afastamento. O pedido foi recebido pelo procurador-geral de Justiça em exercício, Márcio Roberto Tenório, e aprovado pela unanimidade do Conselho Superior do MP de Alagoas.
Fonte https://diariodopoder.com.br

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