
Siro mandou soltar o casal Garotinho em menos de 24 horas
Deu no O Globo
Uma operação da Polícia Federal , desencadeada na manhã desta terça-feira, dia 24, mira o desembargador Siro Darlan . Agentes cumprem mandados de busca e apreensão na casa dele, na Gávea, na Zona Sul do Rio, em seu gabinete, no Tribunal de Justiça, no Centro, e em Resende, no Sul Fluminense. As informações são da TV Globo.
Siro Darlan é alvo de um inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que apura a venda de sentenças no Fórum da capital. O desembargador foi quem mandou soltar os ex-governadores Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, menos de 24 horas depois de o casal ser preso, no início deste mês.
DELAÇÃO – A operação “Plantão” da Polícia Federal é fruto da delação do ex-controlador-geral da Câmara Municipal de Resende Crystian Guimarães Viana, apontado pela Polícia como chefe de uma quadrilha responsável por criar empresas de fachada e fraudar licitações para prestação de serviços. Preso, ele resolveu contar então às autoridades o que sabia sobre a compra e venda de habeas corpus.
Siro Darlan é alvo de um inquérito no STJ, que apura a venda de sentenças no Fórum da capital, conforme revelou o O Globo no final do ano passado. Viana afirmou que era ele quem abria as empresas fantasmas para fazer contratos fraudulentos que ensejaram as prisões de 21 pessoas, entre elas funcionários da Câmara de Resende, em 2015 , acusados de causarem um prejuízo de cerca de R$ 900 mil aos cofres públicos.
Vianna conta que um dos alvos da operação, o economista Ricardo Abbud, foi solto pelo plantão judiciário, ao qual Darlan foi designado, em 30 de outubro do mesmo ano. É nesse processo de soltura que se encaixa a delação de Viana.
NEGOCIAÇÃO – O delator contou aos promotores Vinicius de Souza Lima, Fabiano Cossermelli Oliveira e Diogo Alves da Costa do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que, quando Abbud estava preso com ele, lhe contou que seu pai, João Bosco de Azevedo, negociou “com pessoa interposta pelo desembargador Siro Darlan” a quantia de R$ 50 mil por sua liberdade. Inicialmente, segundo o delator, o lance foi de R$ 120 mil, mas caiu para menos da metade dividido em duas parcelas.
Após sair da cadeia, Abbud foi flagrado por câmeras de segurança com uma mulher e um homem tirando um gaveteiro e sacolas da sede do Sindicato do Comércio Varejista de Resende, onde era presidente. Há indícios de que ele tenha ido lá destruir provas que o incriminassem no processo ao qual respondia.
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA – A denúncia do Gaeco diz que foi constatada a existência de uma “verdadeira organização criminosa no seio do Legislativo Municipal, com a participação de servidores da Casa, em especial dos integrantes da comissão de licitações, voltada para a prática de falsidades ideológicas, fraudes licitatórias e peculato.
Segundo eles, Abbud era o consultor de economia e finanças e chefe da organização criminosa. A denúncia informa ainda que ele “atestava notas fiscais falsas, liquidava pagamentos por serviços não prestados, assinava notas de empenho e ordens de pagamento dentre outras funções”.
O novo fato ensejou um reexame da prisão preventiva dele, por haver indícios de que estaria ocultando e destruindo provas. A desembargadora relatora, Maria Angélica Guedes, que julgou o habeas corpus, entendeu que não cabia sua prisão, deferindo como medidas cautelares que ele não frequentasse a Câmara Municipal de Resende, nem o sindicato que presidia.
“A FIRMA” – Segundo o MP, os servidores Wellington Regadas Moreira; o policial militar Paulo Roberto Medeiros Rolim, o “Paulinho PM”; o motorista Luiz Eduardo; e um oficial de justiça identificado apenas como Willian, aproveitavam o livre trânsito que tinham nas dependências da vara para obter conhecimento prévio de eventos públicos que deveriam ser fiscalizados pelo Juizado.
Em seguida, tentavam negociar os respectivos alvarás judiciais em troca de dinheiro, ingressos para os eventos, mesas cativas em restaurantes e boates ou estadas de cortesia em motéis. Para isso, apresentavam-se como comissários da Infância e da Juventude, trajando coletes que os identificavam como tais e deslocando-se muitas vezes em viaturas descaracterizadas do Juizado.
“BALCÃO DE NEGÓCIOS” – Eles teriam transformado a antessala do gabinete do então juiz titular daquela Vara, Darlan, em um verdadeiro “balcão de negócios”, chegando a se referir à quadrilha como “A Firma”, numa alusão ao filme estrelado por Tom Cruise que passava na época. Nesta época, o MP denunciou também quatro ex-funcionários de Darlan e o vereador Jorge Babu por formação de quadrilha e concussão.
Via Tribuna da Internet
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