quinta-feira, 25 de julho de 2019

Greenwald ainda estava fora da mira da PF, mas agora deve passar a ser investigado

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Agora vamos saber como as gravações chegaram até Greenwald
Carlos Newton
Reportagem de Amanda Pupo, no Estadão, revela que o diretor-geral de Polícia Federal, Maurício Valeixo, informou ao Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira, dia 23, que não há inquérito policial instaurado para apurar a conduta do jornalista Glenn Greenwald, que está divulgando mensagens de celular do ministro Sérgio Moro e de procuradores da Lava Jato.

PETIÇÃO DA REDE – A manifestação da autoridade policial foi feita na ação em que a Rede Sustentabilidade, partido fundado por Marina Silva, pede que o STF declare inconstitucional a abertura de investigações contra o jornalista norte-americano, que é fundador e editor do site The Intercept Brasil.
Como se sabe, o partido de Marina entrou com essa ação no Supremo em 10 de julho, após o vazamento de supostas mensagens entre o então juiz federal Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça, e membros da Operação Lava Jato, publicadas pelo site The Intercept.
QUEBRA DE SIGILO – No pedido ao Supremo, revela Amanda Pupo, a Rede Sustentabilidade afirma que “possivelmente” teria havido um pedido, no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), de quebra de sigilo de movimentações financeiras de Greenwald.
Recentemente, após um pedido do Tribunal de Contas da União (TCU), o Coaf alegou sigilo e não esclareceu se está realizando algum tipo de análise sobre movimentações do jornalista. O ministro da Economia, Paulo Guedes, também enviou ao tribunal um ofício no qual se disse “intrigado” com o pedido do TCU e disse que apenas o Coaf, por ser um órgão autônomo, poderia dar informações.
PEDIDO DO TCU – A reportagem do Estadão esclarece que os documentos foram enviados após o ministro Bruno Dantas, do TCU, relator de uma representação feita pelo Ministério Público de Contas, ter solicitado esclarecimento sobre uma notícia publicada no site O Antagonista, segundo a qual a PF pediu ao Coaf análise de movimentações financeiras do jornalista.
A notícia de O Antagonista era fake news, porque agora o delegado Valeixo confirma ao STF que foram consultadas as áreas técnicas da PF, “restando evidenciado que não há inquérito policial instaurado com o objetivo de apurar a conduta” do jornalista norte-americano.
CONCLUSÃO – Outros jornais deram matérias sobre o mesmo assunto, confirmando que Greenwald estava fora das investigações. Mas o jornalista pode passar a ser investigado a qualquer momento, dependendo do teor dos depoimentos dos hackers, que foram encontrados com “significativa quantia em dinheiro vivo” e o casal Gustavo/Suellen movimentou R$ 627 mil em apenas dois meses. Com certezam estavam sendo remunerados por elementos que têm interesse em destruir a Lava Jato, como tudo indica.
Confirmando-se que se trata de denúncia encomendada e remunerada, o caso policial muda de figura, aumenta a responsabilidade criminal dos envolvidos, de uma ponta a outra. Ou seja, desde o início, com os hackers que fizeram a captação ilegal, até o final, com o órgão de imprensa que as divulgou.
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P.S.  Assim, nota 10 para a Polícia Federal, que segue dando shows de eficiência. E agora tudo terá de ser explicado pelos hackers, em seus mínimos detalhes. E já se pode dizer que a batata de Glenn Greenwald está assando…(C.N.)

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