segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Inveja



Os homens são Espíritos destinados à angelitude.

Foram criados simples e ignorantes e gradualmente desenvolvem suas potencialidades e virtudes.

Por muito tempo viveram os instintos em sua plenitude.

Atualmente, deixam de forma gradual a vida instintiva e pautam suas ações pela razão.

Nesse lento processo evolutivo, alguns antigos vícios perdem sua força e, em seu lugar, novas virtudes florescem.

É no trato com os semelhantes que o homem toma contato com sua realidade espiritual.

Dessa forma, os embates do dia a dia tornam possível ao ser humano perceber suas fraquezas.

Ciente delas, ele pode se dedicar ao seu combate.

Um dos problemas morais bastante comum na Humanidade atual é a inveja.

São Tomás de Aquino definiu esse vício como a tristeza que se tem em relação às coisas boas dos outros.

O invejoso simplesmente se sente mal porque o próximo tem sucesso.

Não há necessidade de que algo lhe falte. Ele apenas se considera diminuído com a grandeza ou conquista alheia.

Na realidade, por vezes, perdoamos mais facilmente um erro do nosso semelhante do que um acerto.

É mais fácil auxiliar quem cai do que suportar sua vitória.

Ante a fome e a enfermidade, não tardam mãos que auxiliam. Os benfeitores, sob o prisma material, sempre ocupam lugar de realce.

O auxílio aos miseráveis pode proporcionar, de algum modo, a satisfação da vaidade.

Bem mais difícil é ser feliz com a felicidade alheia.

Perante alguém que vence na vida, o ressentimento, com frequência, se apresenta e não lhe faltam fiscais e acusadores.

Muitas vezes ouvimos a respeito de quem enriquece: Deve estar roubando!

Na escola, o aluno que alcança boas notas não raramente é objeto de maldosas observações.

Ele ganha apelidos grosseiros e sofre comentários pouco generosos.

­Comenta-se que cola, que goza de favoritismos.

A inveja está sempre muito presente em nossa sociedade.

A vontade de apontar os defeitos alheios é um indicativo desse vício em nós.

Trata-se de um problema moral bastante frequente e revelador de grande mesquinharia.

Prestemos atenção ao nosso comportamento e se identificarmos a presença da inveja, apliquemos firmemente a vontade para nos libertarmos desse triste defeito.

Lembremos que ser caridoso não é apenas amparar a miséria.

Ser feliz com a felicidade alheia também é uma forma de caridade cristã.

Valorizemos as conquistas e as virtudes dos outros, não esquecendo que somos todos companheiros na imensa jornada da vida.

Considerando que o clima psíquico da Terra é fruto da soma das vibrações de todas as criaturas que nela habitam, todos temos a ganhar com a felicidade dos semelhantes.

Quando alguém se eleva, com ele se ergue toda a Humanidade.

Quando alguém cai, é prejuízo na economia moral do planeta.

Alegremo-nos com as vitórias de nossos irmãos.

Ao vencerem, eles não nos tiram nada.

Muitas vezes nos dão preciosos exemplos, que podemos seguir.

Busquemos ser solidários nas dificuldades do próximo.

Mas participemos também, sinceramente, das suas alegrias.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. VII, do livro Leis morais da vida, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

Em 5.6.2017.

                       Postado por Ronaldo Braga

domingo, 20 de agosto de 2023

À procura de Deus

 



Uma velha narrativa indígena fala de um homem que, certo dia, sentiu uma grande necessidade de Deus.

Então, dentro de sua alma, sussurrou: Deus, fale comigo. Preciso imensamente ouvir Sua voz.

No mesmo instante, no galho próximo, o canto de um rouxinol encheu a natureza.

O homem não se apercebeu da beleza do canto, nem da mensagem que vinha na musicalidade e repetiu: Deus, fale comigo!

Nesse instante, a natureza modificou sua feição e um trovão ecoou nos céus.

Ainda assim, o homem foi incapaz de ouvir.

Olhou em volta e disse: Deus, deixe-me vê-lO.

E uma estrela brilhou no céu. Logo mais, milhões de pequenas lanternas brilharam por todo o manto da noite. A lua se desfez em luz de prata e se espelhou nas águas do lago.

Mas o homem não notou. Agora, quase desesperado, começou a falar mais alto: Deus, mostre-me um milagre.

E uma criança nasceu. Contudo, o homem não sentiu o pulsar da vida no novo ser que surgia, esperançoso.

O homem começou a chorar e disse: Deus, sinto-me tão só. Toque-me e deixe-me sentir que Você está aqui comigo...

E uma borboleta pousou suavemente em seu ombro, abrindo e fechando as asas multicoloridas.

O homem levantou o ombro e a espantou.

*   *   *

O estudo da natureza nos mostra, em todos os lugares, a ação de uma vontade oculta.

Por toda parte, a matéria obedece a uma força que a domina, organiza e dirige.

O espetáculo da natureza, o aspecto dos céus, das montanhas, dos mares, apresentam ao nosso Espírito a ideia de uma Inteligência oculta no Universo.

Em cada um de nós existem fontes de onde podem brotar ondas de vida e de amor, virtudes, potências inumeráveis.

É aí, nesse santuário íntimo, que se pode procurar Deus. Deus está em nós. As almas refletem Deus como as gotas do orvalho da manhã refletem os raios do sol, cada um deles segundo o seu próprio brilho e grau de pureza.

É dentro de si mesmos que todos os homens de gênio, os grandes missionários e os profetas, conheceram Deus e Suas leis e as revelaram aos povos da Terra.

*   *   *

É consolador poder caminhar na vida com a fronte levantada para os céus, sabendo que, mesmo nas tempestades, no meio das mais cruéis provas, no fundo dos cárceres, como à beira dos abismos, uma Providência, uma Lei Divina, paira sobre nós.

Um Pai que observa os nossos atos e que, de nossas lutas, de nossas lágrimas, faz sair a nossa própria glória e a nossa felicidade.

Redação do Momento Espírita, com base em Prece indígena, de autoria ignorada e no cap. IX, pt. 2,

do livro Depois da morte, de Léon Denis, ed. FEB. Em 26.6.2019.

                                           Postado por Ronaldo Braga

sábado, 19 de agosto de 2023

Amizade verdadeira


Você tem amigos?

Se ainda não os tem, não perca tempo. Comece hoje mesmo a conquistar amizades verdadeiras, pois a amizade é um tesouro sem o qual a vida na Terra não teria sentido.

É uma força capaz de suavizar até mesmo os momentos mais difíceis na vida das pessoas, como os da guerra, por exemplo.

Há muitas histórias comoventes a respeito de grandes amizades e a que vamos narrar é uma delas.

Conta-se que um soldado dirigiu-se ao seu superior e lhe solicitou permissão para ir buscar um amigo que não voltara do campo de batalha.

Permissão negada, respondeu o sargento.

Mas o soldado, sabendo que o amigo estava em apuros, ignorou a proibição e foi à sua procura.

Algum tempo depois retornou, mortalmente ferido, transportando o cadáver do seu amigo nos braços.

O seu superior estava furioso e o repreendeu:

Não disse para você não se arriscar? Eu sabia que a viagem seria inútil! Agora eu perdi dois homens ao invés de um.

Diga-me: valeu a pena ir lá para trazer um cadáver?

E o soldado, com o pouco de força que lhe restava, respondeu:

Claro que sim, senhor! Quando eu o encontrei ele ainda estava vivo e pôde me dizer:" Tinha certeza que você viria!"

Histórias como esta se repetirão, com outras tonalidades, enquanto existir amizade na face da Terra.

Quantos são aqueles que se dedicam, sem cobrança, a cuidar de amigos enfermos, amigos em dificuldades, amigos rebeldes.

Por tudo isso é que a amizade tem sido comparada a um tesouro de valor incalculável, pois não se compra, nem se vende, simplesmente se conquista.

E a verdadeira amizade é aquela que aceita a pessoa amiga como ela é, e não tenta moldá-la como gostaria que fosse.

A amizade respeita, compreende, perdoa, apoia, defende, enaltece.

Muitas pessoas confundem a amizade com cumplicidade interesseira, mas a amizade não é assim.

O verdadeiro amigo sabe dizer sim e sabe dizer não quando é preciso, mesmo que não seja bem compreendido.

Em nome da amizade, não se deve fazer tudo o que o amigo faz ou apoiá-lo em tudo. Isso é tolice.

A amizade fiel não é conivente com os equívocos, mas está sempre alerta para socorrer quando necessário.

Enfim, o amigo é aquele que não apenas enxuga as nossas lágrimas, mas faz de tudo para não deixá-las cair.

*   *   *

O maior exemplo de amizade que passou sobre a Terra chama-se Jesus Cristo.

Ele, um Poeta dos mundos celestes, fez-se Cantor para que a Sua sublime voz fosse escutada neste minúsculo planeta.

Príncipe dos espaços siderais, tornou-se Súdito humilde para Se aproximar dos corações sofredores.

Senhor das estrelas, converteu-se em servo para ensinar a humildade.

Nobre de origem celeste, transformou-Se em escravo por amor aos amigos-irmãos degredados na Terra.

Grandioso, hoje como ontem, é o amanhã dos que choram, sofrem, aguardam e amam.

Sua veneranda Presença paira dominadora sobre a Humanidade, que nEle encontra alento para suas dores e forças para prosseguir na escalada para Deus.

Jesus é a síntese histórica da grandeza, da perfeição, da sabedoria e, mais do que nunca, da amizade...

Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria ignorada e no cap. 25 do livro Perfis da vida, pelo Espírito Guaracy Paraná Vieira, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

Em 07.06.2010.

                      postado por Ronaldo Braga

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Estratégia: execução do básico com excelência

 


Alex Pipkin, PhD

Jerusalém e Jericó


A parábola do bom samaritano começa assim: Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de ladrões que o despojaram, cobriram de feridas, e se foram, deixando-o meio morto.

A imagem utilizada por Jesus é significativa. Sem descermos aos detalhes do bom samaritano que auxiliou aquele homem, é de nos perguntarmos por que ele sofreu a agressão?

Alguns o têm considerado um mercador, um negociante, que padeceu a sanha dos ladrões. No entanto, Jesus não tece nenhuma consideração a respeito.

Simplesmente diz que um homem descia de Jerusalém. Jerusalém era a cidade religiosa. Era lá que estava o templo, local onde oravam os judeus.

Era, portanto, o símbolo da ligação com Deus.

Jericó, por sua vez, era a cidade do ócio e da riqueza material. Lugar de conforto e área de prazer.

Local de abundância. Seu terreno generoso era tido como o mais abençoado oásis da palestina.

É considerada, tradicionalmente, como a cidade mais antiga da Terra. Acredita-se que o homem ali se instalou entre os milênios 10 e 7 a.c.

O homem descia, diz a parábola. Figurativamente, equivale a dizer que, na sua intimidade, abandonou a condição de ligação íntima com Deus na busca de interesses puramente materiais.

Jerusalém representa, na parábola, tudo aquilo que diz respeito ao Espírito e seu crescimento: a moral, a ética, o amor.

Jericó fala aos sentidos mais banais. Então, o homem deixa sua condição de moralidade para buscar os prazeres do mundo.

Nessa etapa de invigilância sofre o assalto, a agressão.

Assim pode ocorrer conosco. Sempre que buscamos as futilidades, esquecendo-nos das primordiais questões do Espírito, sintonizamos com faixas inferiores.

Nessas oportunidades, poderemos ser vítimas dos maus e do mal, pois nos colocamos no seu meio.

A exortação de Jesus para a vigilância que devemos exercer sobre nossos pensamentos e ações não deve ser desconsiderada.

O homem agredido encontrou o bom samaritano que o socorreu. Entretanto, se não tivesse sido invigilante, poderia não ter sofrido o assalto.

Em nosso caminho evolutivo todos passamos pela fieira da ignorância, mas não há necessidade de experimentarmos o mal.

Existem questões em nossas vidas das quais não poderemos nos furtar. Estão no cômputo das nossas necessidades sofrê-las, seja por questões de resgate ou por serem um convite ao progresso.

Isso porque sempre que as dificuldades nos alcançam, nosso instinto de conservação nos impele a buscarmos soluções.

Nessa busca, criamos condições novas para nós mesmos e para a Humanidade. É o que chamamos progresso.

As pandemias, ao longo dos séculos, nos conduziram a pensarmos em melhores condições ambientais, de higiene pessoal, de cuidados para evitarmos a contaminação.

Também a desenvolvermos medicação apropriada e a elaboração de vacinas.

Contudo, existem muitos problemas que não precisaríamos ter. Bastaria maior vigilância pessoal, melhor controle das nossas emoções e dos nossos sentimentos.

Dessa forma, entendamos que optar por Jerusalém ou por Jericó é questão pessoal.

Importante que saibamos realizar a melhor escolha.

 Redação do Momento Espírita, com base no cap. 18, do livro Pelos caminhos de Jesus, pelo

Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

Em 27.1.2021.

                    Postado por Ronaldo Braga

Janelas na alma



O sentimento e a emoção normalmente se transformam em lentes que filtram os acontecimentos, dando-lhes cor e conotação próprias.

De acordo com a estrutura e o momento psicológico, os fatos passam a ter significação que nem sempre corresponde à realidade.

Quem se utiliza de óculos escuros, mesmo diante da claridade solar, passa a ver o dia com menor intensidade de luz.

Na área do relacionamento humano, as ocorrências também assumem contornos de acordo com o estado d´alma das pessoas envolvidas.

É urgente, portanto, a necessidade de conduzir os sentimentos, de modo a equilibrar os fatos em relação a eles.

Uma atitude sensata é um abrir de janelas na alma, a fim de observar bem os sucessos da caminhada humana.

De acordo com a dimensão e o tipo de abertura, será possível observar a vida e vivê-la, de forma agradável, mesmo nos momentos mais difíceis.

Há quem abra janelas na alma para deixar que se externem as impressões negativas, facultando o uso de lentes escuras, que a tudo sombreiam com o toque pessimista de censura e de reclamação.

*   *   *

Coloquemos, nas nossas janelas, o amor, a bondade, a compaixão, a ternura, a fim de acompanharmos o mundo e o seu cortejo de ocorrências.

O amor nos facultará ampliar o círculo de afetividade, abençoando os nossos amigos com a cortesia, os estímulos encorajadores e a tranquilidade.

A bondade irrigará de esperança os corações ressequidos pelos sofrimentos e as emoções despedaçadas pela aflição dos que se acerquem de nós.

O perdão constituirá a nossa força revigoradora colocada a benefício do delinquente, do mau, do alucinado, que nos busquem.

A ternura espraiará o perfume reconfortante da nossa afabilidade, levantando os caídos e segurando os trôpegos, de modo a impedir-lhes a queda, quando próximos de nós.

As janelas da alma são espaços felizes para que se espalhe a luz, e se realize a comunhão com o bem.

*   *   *

Este é um convite para refletirmos sobre uma realidade especial: a realidade de que tudo na vida conspira a nosso favor; isto é, tudo trabalha para o nosso crescimento íntimo.

Nada que nos acontece visa nosso mal, embora muitas vezes possa parecer assim.

Abrir janelas na alma é tornar-se apto a descobrir essas novas realidades que, se bem compreendidas, tornam nosso viver menos árduo.

A lei de causa e efeito existe para nos educar, e não para nos punir...

A lei da reencarnação existe para nos dar novas oportunidades, e não para nos fazer sofrer...

A lei do amor existe para nos fazer felizes, pois só haverá júbilo em nossa alma quando concedermos a outros esse mesmo sentir – eis o que chamamos caridade.

Abramos janelas em nossa alma, uma a cada dia, e deixemos o sol da compreensão entrar.

Abramos janelas em nossa alma e nos permitamos sonhar, e continuar rumando em busca do sonho.

Abramos janelas em nossa alma e mostremos ao mundo as muitas belezas que existem. Podemos até pensar que não existem, mas tenhamos plena certeza de que sim... Elas estão lá...

Redação do Momento Espírita,com base no cap. 12, do livro Momentos de felicidade, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

Em 3.3.2014.

                   Postado por Ronaldo Braga

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Ainda haverá Deus


Haverá dias nos quais sentiremos a alma vazia, como um deserto sem vida, sem sinal de renascimento, nada, enfim, que nos indique possibilidades, roubando-nos a esperança.

Ainda assim, haverá Deus.

Haverá dias nos quais nos sentiremos como se um vento gelado tivesse varrido tudo, deixando apenas o nada, congelando-nos o otimismo e a alegria.

Mesmo assim, ainda haverá Deus.

Haverá dias nos quais acordaremos em luto, em tristeza profunda, trazendo na alma os acúmulos das perdas e das dores do caminho percorrido, fazendo-nos temer o próximo passo, a continuidade da caminhada.

Apesar disso, ainda haverá Deus.

Haverá dias nos quais a solidão parecerá ser a única companhia em nossa jornada, como se nada ou ninguém existisse para compartilhar conosco as dificuldades que enfrentamos.

Muito embora não pareça, ainda haverá Deus.

Sempre haverá dias difíceis nos caminhos de todos nós.

Enfrentar-se e enfrentar o mundo não são tarefas de pouca significância, ou de fácil condução.

Haverá momentos em que nos assaltará a certeza de que vamos desfalecer perante as imensas montanhas que se erguem à frente.

Algumas delas estão em nosso mundo íntimo, esperando nossas ações.

Outras, se apresentam nas estradas que percorremos, convidando-nos às lutas necessárias.

É natural que assim seja. Como nos lembra Jesus, no mundo teremos aflições.

São as aflições que nascem de nossa fé ainda frágil, de nosso entendimento limitado do mundo, de virtudes apenas desabrochando.

Assim, não desanimemos, mesmo em dias tumultuosos.

As aflições serão amenizadas, o aprendizado será construído, as dificuldades serão superadas.

Deus não nos coloca no mundo para sofrermos castigos ou para sermos penalizados.

Nem espera que nos infelicitemos com os problemas que nos cheguem.

Sua amorosidade nos alcança, das mais variadas maneiras e de forma constante.

Por ser justo, permite que enfrentemos as dores necessárias somente quando detenhamos a capacidade e a condição de superá-las.

Dessa forma, quando esses dias nos surgirem, quando o desânimo invadir nossa alma, querendo se alojar de forma permanente, lembremo-nos de Deus.

Recordemos que ele é Pai e, como tal, a Sua doação é sempre a favor dos Seus filhos.

Apesar de tudo e além de tudo, sempre haverá Deus a nos amparar, a nos conduzir e a nos guiar.

Ninguém está ou estará ao abandono da Providência Divina.

Deus vela por nós, zelando por nossos passos a fim de que sigamos para dias mais felizes.

Se Jesus nos alerta que no mundo teremos aflições, igualmente nos convida a termos bom ânimo, a seguirmos Seu exemplo, como Modelo e Guia, pois Ele venceu o mundo.

Portanto, nos dias difíceis, lembremo-nos de Deus. Busquemos Sua companhia e Seu amparo. Oremos.

Será no regaço Divino que conseguiremos as forças para melhor enfrentar as aflições do mundo porque, por maiores e mais pungentes sejam nossas dificuldades, dores, dúvidas e angústias, sempre haverá Deus nos sustentando e guiando nossos passos.

 Momento Espírita.

Em 20.4.2020.

                            Postado por Ronaldo Braga

A agulha perdida



Há uma lenda que narra que, certa noite, as pessoas viram a grande mestra Rábia procurando algo na rua, em frente à sua cabana.

Elas se reuniram em torno dela e perguntaram: O que aconteceu? O que você está buscando?

E Rábia respondeu: Eu perdi a minha agulha.

Todos se dispuseram a ajudar na procura.

Então, alguém perguntou: Rábia, a rua é grande, a noite está chegando e logo não haverá mais luz. Uma agulha é uma coisa tão pequena. Se você não nos contar exatamente onde ela caiu, será difícil encontrá-la.

A resposta da mestra foi: Não pergunte isso. Não levante essa questão de modo algum. Se você quer me ajudar, ajude, caso contrário, não levante essa questão.

Todos os que estavam procurando, pararam e insistiram: Qual é o problema? Por que não podemos perguntar isso? Se você não diz onde ela caiu, como nós poderemos ajudar?

Ela esclareceu: A agulha caiu dentro da minha casa.

Quase indignados, falaram ao mesmo tempo: Você enlouqueceu? Se a agulha caiu dentro da sua casa, por que você está procurando aqui?

Então, veio a resposta surpreendente: Porque a luz está aqui. Dentro da casa não há luz nenhuma.

Alguém retrucou: Mesmo que a luz esteja aqui, como podemos achar a agulha se ela não foi perdida aqui? A atitude correta seria levar a luz para dentro da sua casa, só assim você pode achar a agulha.

Rábia sorriu e chegou ao ponto que desejava: Vocês são pessoas tão espertas com pequenas coisas. Quando vão usar suas inteligências para suas vidas interiores?

Vi todos vocês buscando do lado de fora e sei perfeitamente bem, sei, pela minha própria experiência, que aquilo que estão buscando está perdido dentro de cada um.

A bênção que estão buscando, vocês a perderam dentro. E a estão buscando fora. A lógica de vocês é essa porque seus olhos podem ver facilmente o lado de fora, as suas mãos podem tatear facilmente o lado de fora. Porque a luz está fora, vocês estão procurando fora.

Se vocês são realmente inteligentes, concluiu a mestra, então usem a sua inteligência. Por que estão buscando a bênção no mundo exterior? Vocês a perderam ali?

Todos emudeceram, enquanto Rábia desapareceu no interior de sua casa.

*   *   *

É tão mais fácil procurar fora. A luz já está posta, basta olhar. Tudo parece bem claro e ao alcance das mãos.

Falar em olhar dentro nos assusta. Há tanta escuridão, há tanto desconhecido. E ainda, ter que iluminar? Ter que fabricar luz? Isso parece que nos daria tanto trabalho...

É por isso que grande parte de nós ainda permanece procurando a agulha perdida onde ela não está, do lado de fora de nossa casa íntima, apenas por ser mais fácil a busca.

Lembramos quantos mestres nos falaram sobre iluminação. Trata-se dessa criação de lume interior.

Das propostas de autoconhecimento da Grécia Antiga a Buda, de Jesus, a Luz do mundo, até os dias atuais, quando os estudos da alma falam da necessidade de luz interior.

Onde andamos procurando nossa agulha perdida?

Já temos coragem e disposição para, finalmente, entrar em nossa casa interior?

Chegou o tempo. Pensemos a respeito.

Redação do Momento Espírita, com base no  cap. 57, do livro Osho, Histórias de Transformação,

de Rajneesh, ed. Cultrix.

Em 20.6.2022.

                        Postado por Ronaldo Braga